FILOSOFIA ESPÍRITA, ENCANTAMENTO E CAMINHO

"JARDIN" - Claude Monet

BEM-VINDO (A) !
Síntese da nobre caminhada do ser humano em busca de sua natureza real, sua Ciência é o instrumento eficaz que estimula o Espírito à sua auto-descoberta; sua Filosofia o conduz à reflexão profunda; sua Religião em Espírito e Verdade revela-lhe a natureza divina de co-criador e partícipe do Universo.

Quando assim compreendida, permeia visões de Vida, amplia horizontes, eleva sentimentos, faz fluir, como as ondas suaves de um rio, as virtudes latentes e desconhecidas de seu mundo interior...


Por sua vez, a Música, como parte da Arte que reflete a busca pela própria transcendência balsamiza, inspira, eleva, encaminha à serenidade, à reflexão...


Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001) - CONSULTE O RODAPÉ DESTE BLOG:

“Seria fazer uma ideia bem falsa do Espiritismo acreditar que a sua força decorre da prática das manifestações materiais (...). Sua força está na sua Filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom-senso.” (Concl.VI - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec)."O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: o das manifestações, o dos princípios de Filosofia e Moral que delas decorrem e o das aplicações desses princípios.” (Concl. VII - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec).


O Título ©Projeto

Estudos Filosóficos Espíritas foi cuidadosamente refletido, tendo em vista que: 1) Deve refletir a natureza da obra espírita, eminentemente filosófica; 2) Deve refletir a natureza do curso; 3) Estudos Filosóficos é também o nome da vasta obra filosófico-espírita de Bezerra de Menezes, e constante da Bibliografia de apoio do deste projeto, com o qual pretende-se homenagear, reverenciando-lhe o trabalho ainda intenso de sustentação a causa espírita no Brasil, nas dimensões espirituais, juntamente com Espíritos da estirpe de Léon Denis, hoje liderando a Falange da Latinidade que igualmente traça diretrizes para a disseminação das ideias espíritas à humanidade;

4) Iluminando o Evangelho de Jesus com as luzes do Conhecimento Espírita, passaremos a trazê-lO ao coração, ao pensamento, à razão, aos atos, às atitudes, vivenciando com pleno saber e plena aceitação os seus ensinos.

Tal é a finalidade do Espiritismo – formar caracteres com vistas ao mundo de Regeneração (vide KARDEC, Allan, Obras Póstumas, “As Aristocracias”, div.ed.), conforme predito nas palavras de Jesus (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.VI, O Consolador, div.ed.), corroboradas pela Codificação Espírita.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

HOMOSSEXUALISMO - REFLEXÕES COM BASE NA FILOSOFIA ESPÍRITA




“Vós que sois sábios e cheios de alta e profunda ciências

Que concebeis e sabeis

Como, quando e onde tudo se une

... Vós, grandes sábios, dizei-me de que se trata

Descobri vós o que será de mim

Descobri como, quando e onde,

Por que semelhante coisa me ocorreu?”

                                  (citação de Michel Foucault, em História da Sexualidade)     

Para que possamos compreender os fenômenos da vida humana, Espíritos de superior evolução intelecto-moral estiveram presentes na Falange do Espírito da Verdade (Jesus de Nazaré) com a finalidade de orientar a humanidade. Isso é fato.

Por sua vez, os princípios por eles elaborados e que constituem a síntese do conhecimento: Deus, Espírito e Matéria, trazem de forma didática (trabalho este desenvolvido por Allan Kardec, pedagogo) os indicativos necessários para a condução de nosso pensamento em direção ao entendimento do processo dialético corpo-Espírito, e que envolve, por exemplo, a encarnação.

Encarnação como princípio, reencarnação como processo - em O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, sob o título Mundo Espírita ou dos Espíritos, capítulo IV- Pluralidade das Existências, questões 200 a 202, os Espíritos orientadores disseram a Kardec que a definição sexual (feminino-masculino) depende da constituição orgânica. Os mesmos Espíritos animam corpos de homens e mulheres, dependendo das provas que eles (Espíritos) tem que sofrer. Acrescenta Allan Kardec: “Os Espíritos encarnam-se (princípio) homens ou mulheres, porque não tem sexo (constituição orgânica). Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, saberia apenas o que sabem os homens.

São meus os destaques em negrito.

Consequentemente, entendemos que as experiências necessárias à evolução de um Espírito devem ocorrer efetivamente nas duas polaridades, masculina e feminina, distintas entre si, e perfeitamente harmônicas em cada uma.   

No capítulo IX, Terceiro Livro, Lei de Igualdade, questão 822-a (tradução de José Herculano Pires), os Espíritos acrescentam: “Os sexos só existem na organização física, pois os Espíritos podem tomar um e outro, não havendo diferenças entre eles a esse respeito.”

Os Espíritos, portanto, no processo da reencarnação como lei biológica, reencarnam em corpos biológicos adequados à necessidade evolutiva de cada ser. Se hoje um indivíduo reencarna numa constituição fisiológica masculina, ele trará consigo todos os impulsos inerentes à essa característica. Impulsos esses que trazem carga erótica condizente à perpetuação da espécie, e que por instinto o faz procurar o seu oposto, o feminino. O mesmo se dá com o indivíduo que renasce num corpo biológico feminino. O amor entre os seres humaniza e une as duas polaridades distintas, na troca constante de afeto e realização mútuas.

Masculino e feminino com características, pendores, componentes psicológicos diferentes. No livro “Sexo-Problemas e Soluções”, de Emídio e Marislei Brasileiro encontramos uma definição acerca das diferenças entre sexualidade masculina e sexualidade feminina concorde com o Espiritismo: “As múltiplas reencarnações, em diversos corpos de constituição física masculina e feminina, possibilitam ao Espírito a aquisição de valores apropriados às diferentes faixas evolutivas de cada planeta e a assimilação, psicossomática respectiva, determinando o aprimoramento da condição criativa do ser.(...)  A sexualidade manifesta-se sob três aspectos distintos: no da reprodução, no psicológico das vivências de vidas passadas e no aspecto geral da capacidade espiritual de criar, de produzir e de evoluir, através de conquistas morais e intelectuais, que se processam nos planos da vida física e da vida espiritual.”     

No Terceiro Livro, de O Livro dos Espíritos, capítulo V, Lei de Conservação, questões 702 e 703, os Espíritos esclarecem que todos os seres vivos possuem  o instinto  de conservação, qualquer que seja o seu grau de inteligência, e no caso dos seres humanos, ele é racional, Deus deu a esses, a necessidade de viver, pois “a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres: eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.”  

Ainda no mesmo Terceiro Livro, capítulo X, Lei de Liberdade, os Espíritos ensinam que (questão 826), desde que haja dois indivíduos distintos, “há direitos a respeitar e não terão eles, portanto, liberdade absoluta.” Por outro lado, os indivíduos possuem “a compreensão da lei natural, mas contrabalançada pelo orgulho e o egoísmo. Sabem o que devem fazer mas não o fazem, quando transformam os seus princípios numa comédia bem calculada.”

Allan Kardec então pergunta (questão 828-a): “Os princípios (leia-se aqui sistemas, hábitos, costumes, vivências e não princípios filosóficos) que professaram nesta vida lhes serão levados em conta na outra? Quanto mais inteligência tenha o homem  para compreender um princípio (filosófico), menos escusável será o de não aplicar a si mesmo. (...)”   

Na questão 845, da mesma Lei de Liberdade, os Espíritos esclarecem que “as  predisposições instintivas que o homem traz ao nascer são as do Espírito antes da reencarnação, conforme for ele mais ou menos adiantado, elas podem impeli-lo a atos repreensíveis, no que ele será secundado por Espíritos que simpatizem com essas disposições; mas não há arrastamento irresistível, quando se tem a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder (veja-se questão 361)”.

Na questão 361 recomendada por Allan Kardec, temos a seguinte pergunta e consequente resposta: “De onde vem para o homem as suas qualidades morais, boas ou más? São as do Espírito que está nele encarnado; quanto mais puro é esse Espírito, mais o homem é propenso ao bem.”       

Os destaques em negrito são de minha autoria.

Voltemos à Lei de Liberdade, questão 846, quando Allan Kardec questiona os Espíritos sobre se o organismo (físico) não influi nos atos da vida, e se influi se seria a prejuízo do livre-arbítrio, ao que os Espíritos respondem: “O Espírito é certamente influenciado pela matéria, que pode entravar as suas manifestações. (...) mas o corpo não dá faculdades ao Espírito. De resto, é necessário distinguir neste caso as faculdades morais das faculdades intelectuais. (...) Aquele que aniquila o seu pensamento para se ocupar apenas da matéria faz-se semelhante ao bruto, e ainda pior, porque não pensa mais em se premunir contra o mal. É nisso que ele se torna faltoso, pois assim age pela própria vontade (Ver item 367 e seguintes, Influência do organismo.)”

As questões citadas certamente poderão ser consultadas, e devem, na verdade ser estudadas profundamente com isenção de ânimo.

Acrescentamos a questão 851, referente à fatalidade nos acontecimentos da vida humana, ao que os Espíritos respondem: “A fatalidade não existe senão para a escolha feita para o Espírito ao encarnar-se (...) ao escolhê-la, ele traça para si mesmo  uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra. (...) O Espírito, no tocante às provas morais e tentações, conservando o seu livre-arbítrio, sobre o bem e o mal, é sempre senhor de ceder ou resistir.”    

Em o livro A Gênese – Os milagres e as predições segundo o Espiritismo, em seu capítulo 18, Sinais dos tempos, item 8, o Espírito Arago diz: “Quando se diz que a humanidade chegou a um período de transformação, e que a Terra deve se elevar na hierarquia dos mundos, não vede nestas palavras nada de místico, mas, ao contrário, o cumprimento de uma das grandes leis fatais do Universo, contra as quais se quebra a má vontade humana.”

No item 14, Kardec acrescenta: “(...) É a um desses períodos de transformação, ou se quisermos, de crescimento moral, que chegou a humanidade.”

Em seu item 19, o livro A Gênese destaca: “Unicamente o progresso moral pode assegurar a felicidade dos homens sobre a Terra pondo um freio às más paixões; unicamente ele pode fazer reinar entre os homens a concórdia, a paz e a fraternidade.”

Acrescente-se trecho do item 24: “Pela sua potência moralizadora, por suas tendências progressivas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abraça, o Espiritismo, mais que qualquer outra doutrina, está apto a secundar o movimento regenerador; por isso mesmo são contemporâneos.”

Para se compreender os fenômenos humanos, como o homossexualismo, o transexualismo, o hermafroditismo, e outros  ligados à sexualidade e às manifestações da libido, há necessidade de se admitir plenamente a encarnação como princípio e a reencarnação como processo inerente à evolução humana, admitindo, contudo, que o Ser é dotado de livre-arbítrio, portanto, herdeiro de suas próprias experiências na matéria.

Para tanto, um rápido vislumbre nas culturas e nos hábitos das populações da Antiguidade, com destaque Grécia e Roma, desvenda as  vivências homo e bissexuais ao longo do tempo como parte do processo de iniciação de crianças e jovens à idade adulta. Como exemplo, os espartanos comungavam do leito conjugal com seus companheiros de batalha em campanhas militares  de longo percurso.

A história humana – seja no campo dos hábitos adquiridos ou até em sacrifícios religiosos – é fonte de vasta pesquisa para o entendimento dos fenômenos de ordem sexual.

Essa herança permanece em nosso inconsciente individual e coletivo, necessitando de entendimento para o necessário reajuste.

De forma oposta, o que vemos hoje divulgado e incentivado pela mídia, que, secundada por políticas de governos interessados no domínio das massas, a criação de um suposto terceiro gênero, como se fosse possível alterar fisiologias ao bel-prazer de poderes espúrios e de empresas que igualmente disputam audiência.

Apoiadas no suposto “preconceito” – que realmente existe, pois fruto da ausência de políticas educativas, mas que é por elas abordado de forma distorcida -, incentivam as massas, que buscam freneticamente novidades no mercado das aparências.

Programas de auditório, com público hipnotizado pelos holofotes de grandes e poderosas redes de televisão, no afã de aparecerem por segundos nas telas de TV nacionais e internacionais, aplaudem com entusiasmo todo aquele que se propõe a “viver, sim - e porque não? -  a sua homossexualidade latente”.

Filmes pornográficos travestidos de luxo e prazer, lojas especializadas em instrumentos para o aumento da libido,  no mercado do “tudo vale para a satisfação” momentânea, efêmera e vazia.

O conhecimento da energia sexual permanece obscuro para a grande maioria, mantendo o ser humano escravo de seus impulsos, destinados ao desenvolvimento afetivo e à perpetuação da espécie.

Com este artigo fechamos questão sobre o tema? Evidente que não. Porém, deixamos claro que o homossexualismo e as demais questões que envolvam a sexualidade humana devem ser abordados com isenção de ânimos, e sob o ponto de vista estritamente filosófico-espírita, se quisermos realmente compreender a amplitude do problema.

Um seminário, uma mesa-redonda ou qualquer abordagem pública desse tipo deve ser feita de forma multidisciplinar, com profissionais de saúde idôneos e engajados com o Espiritismo, acrescidos de abordagem histórica, filosófica, sociológica e ético-moral.

Não compreenderemos os fenômenos humanos se não nos despirmos de ideias preconcebidas, protecionistas e alienantes.

O homossexualismo é um hábito humano milenar e portanto, requer de quem analisa e pondera, maturidade emocional, maturidade existencial, conhecimento e profundo engajamento à causa espírita como já dissemos.

Sem isso a casa espírita estará sujeita às tempestades emocionais de quem vive o problema em seu próprio lar e os traz para dentro dos Centros, sujeito que pode estar às opiniões dissonantes de uma mídia que nada faz a não ser aproveitar-se do sofrimento humano que não compreende, contudo, oferece “soluções” compatíveis aos seus próprios interesses imediatistas e mesquinhos.

Ainda em O Livro dos Espíritos, questão 625, os Espíritos nos oferecem um modelo conducente às nossas atitudes e ações: JESUS, que é a harmonia das polaridades por excelência.

Manifestou-se pessoalmente encarnando-se, pelos meios naturais,  num corpo fisiológico masculino, porque patriarcal era o seu tempo. Porém, manifesta o seu imenso Amor pela Humanidade, consequência natural de um Ser pleno, ao respeitar a mulher, educando-a para o amor legítimo e respeitoso, e ao respeitar o homem,  educando-o para o respeito a si mesmo e à mulher. Enalteceu os laços familiares, e legou-nos o seu Evangelho de Luz como norma de conduta, enquanto aguardávamos a vinda do Consolador, que nos despertaria para a Verdade.

E é justamente em O Evangelho Segundo o Espiritismo que encontramos a orientação para as nossas vidas: O Homem de Bem.

AUTORIA: Sonia Theodoro da Silva, filósofa.

SUGESTÕES DE ESTUDO E LEITURA:

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

A GÊNESE – Os milagres e as predições Segundo o Espiritismo

(Todos de Allan Kardec)

SEXO – PROBLEMAS E SOLUÇÕES, Emídio e Marislei Brasileiro

PESQUISA SOBRE O AMOR, José Herculano Pires.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

INSCRIÇÕES ABERTAS!!!

Acrópole - Atenas, Grécia (Fonte: Internet)


INSCRIÇÕES ENCERRADAS - FIQUE ATENTO!
NOVAS INSCRIÇÕES ESTARÃO ABERTAS EM NOVEMBRO DE 2017 - VENHA ESTUDAR CONOSCO !! 

OLÁ,
AGORA VOCÊ TAMBÉM PODE FAZER A SUA INSCRIÇÃO PARA OS GRUPOS DE ESTUDOS AVANÇADOS ESPÍRITAS DIRETAMENTE COM O CEFE-CENTRO DE ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS, VEJA COMO PROCEDER:

1) GRUPO DE ESTUDOS AVANÇADOS ESPÍRITAS EM FILOSOFIA ESPÍRITA
     5AS. FEIRAS DAS 19H00 ÀS 21H00

2) GRUPO DE ESTUDOS AVANÇADOS ESPÍRITAS VER-VISÃO ESPÍRITA DA RELIGIOSIDADE
     SÁBADOS DAS 16H00 ÀS 18H00

ACESSE OS PROGRAMAS ATRAVÉS DO PORTAL DE ESTUDOS www.filosofiaespirita.org

LOCAL: Rua Duarte de Azevedo, 691 - acesso pelo metro Santana

INSCRIÇÕES: cefeorg@gmail.com


APOIO: Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz

DIVULGAÇÃO DOS TRABALHOS DO CEFE : Conselho Espírita Francês (França), SPS (Inglaterra)

ACESSE O PROGRAMA FILOSOFANDO: www.tvmundomaior.com.br/programacao/filosofando

VENHA ESTUDAR E COMPARTILHAR SEUS CONHECIMENTOS COM NOSSA EQUIPE  DE EXPOSITORES ABALIZADOS !!

AULAS ESPECIAIS TEMÁTICAS AOS SÁBADOS NO HORÁRIO DO VER

CAFÉS FILOSÓFICO-ESPÍRITAS (ACESSE PELO PORTAL www.filosofiaespirita.org 
           

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

PURISMO DOUTRINÁRIO – O QUE É


Sonia Theodoro da Silva - Filósofa
www.filosofiaespirita.org
Há tempos estamos ouvindo e assistindo alegações no sentido de que o Espiritismo é doutrina atualizável, que os conceitos filosóficos espíritas mudam conforme o tempo passa, que a mediunidade está “progredindo” pois traz testemunhos contundentes de Espíritos sobre o “outro lado da vida”;  que é vedado e interdito criticar qualquer livro ou psicografia ou comunicações de qualquer espécie pois isto seria “falta de caridade”, “falta de atualização”, afinal, o Espiritismo é progressista  e quem quer que ousasse fazer críticas estaria “sob a injunção de Espíritos obsessores”.
E o mercado livreiro dito “espírita” continua a desovar livros de qualidade duvidosa e inferior, quando não pretensiosos, ocupando as prateleiras de centenas de feiras, exposições e livrarias físicas e virtuais, ocupando ainda os espaços da internet com mensagens proféticas de “juízo final”, e outras que seguem um estilo profético, como se estivéssemos de volta ao Horizonte Oracular (expressão cunhada por J. Herculano Pires em O Espírito e o Tempo). Algumas afirmações ainda finalizam com a recomendação de que não nos devemos preocupar pois “Jesus está no leme deste barco” (donde se deduz  que nada precisamos fazer, a não ser trancarmo-nos em nossas residências e deixar que a tempestade passe), e assim vai.  

Através desse pequeno exemplo, parece-nos que há uma ausência de senso crítico com base no estudo metódico e aprofundado do Espiritismo, a ponto de haver opções por opiniões, teorias filosóficas que contradizem o próprio O Livro dos Espíritos, fantasias, apelos míticos e místicos, mas além de tudo, a adesão à crença cega em qualquer comunicação advinda dos planos de vida desencarnados, como se a morte física conferisse sabedoria às falas de pseudo orientadores da humanidade nesta atual difícil, trágica e melancólica travessia de um plano de expiações e provas para uma provável próxima regeneração  moral e intelectual. Quando não, a verdadeira adoração aos “ídolos” do Espiritismo, personificados nos médiuns que tudo sabem, menos orientar-se devidamente e equilibrar-se em sua mediunidade pois revelam-se carentes de conhecimentos e de espírito de abnegação à tarefa, num flagrante desrespeito, indiferença, desamor à causa que juraram seguir, proteger e divulgar a benefício dos menos favorecidos que seriam milhões neste momento dramático da evolução do planeta.
Em sua grande maioria estão falindo, pois, ao invés, denigrem a Doutrina de Luz, a Filosofia dos Espíritos, a Ciência do Espírito, a Moral de Jesus, e seus seguidores e abnegados administradores do Bem sobre a Terra.

Alguém poderia dizer que não passa de opinião pessoal! Tem todo o direito... porém, vamos partir para algumas análises para reforçar a nossa “opinião” – no mais, convidamos a todos que estudem, pesquisem, conectem seus pensamentos com os dos Espíritos Superiores, trata-se de esforço próprio, pois ninguém o fará por nós.
A expressão pureza doutrinária começou a ser desenvolvida nos primórdios do Espiritismo no Brasil, quando a antiga FEB sob a presidência de Bezerra de Menezes enfrentava o duelo entre religiosistas e cientificistas, cada qual “defendendo” as suas ideias em detrimento do que ensinavam os Espíritos na Codificação. De lá para cá, as divisões de um movimento que diz representar o Espiritismo através de suas centenas de instituições, porém cada qual defendendo ideias pessoais de seus dirigentes acabaram por institucionalizar o Espiritismo, como se ele fosse “institucionalizável”, ou seja, subordinaram os princípios eternos e imutáveis de Leis Divinas à direção e opinião de seus ditos representantes, cada qual fazendo o que lhe apraz onde quer que estejam localizados.

Quando Allan Kardec em Obras Póstumas promove a criação de núcleos de estudo e pesquisa, ele está dizendo núcleos de estudo e pesquisa e não instituições representativas.
A expressão “pureza doutrinária” voltou à baila com as afirmações do dr. Ary Lex, num livro de mesmo nome, onde o autor postulava que deveríamos tomar o maior cuidado com as novidades surgidas à época (décadas de 70 e 80 do século passado) e que representavam doutrinas espiritualistas: umbanda, cromoterapia, cura por cristais, leitura de runas, cartas, cirurgias espirituais, etc., etc., etc. , além de destacar alguns erros cometidos pelo Espírito André Luiz em alguns de seus livros, corrigindo-os, não somente sob o ponto de vista doutrinário mas também científico. Os seus cuidados geraram pronunciamentos do Espírito Emmanuel, dizendo que se em algum momento ele próprio, Emmanuel, errasse em alguma afirmação, que os espíritas ficassem com o Espiritismo e com Allan Kardec e não com ele.

Ary Lex em alguns momentos tornou-se intransigente defensor do Espiritismo em detrimento de pessoas, instituições e Espíritos, o que atraiu desafetos e inimigos de seu pensamento e até de sua pessoa.
Lembro-me de uma afirmação que fiz a ele diretamente, sobre o que, em minha modesta opinião tratava-se de intransigência exagerada, eu mesma atuava numa instituição que ele presidia; ele nada disse. Tempos depois, após muitas observações corrigi-me e voltei a encontrá-lo num evento espírita: ele sorriu-me e disse: “agora a irmã me compreende?”, referindo-se a muitos senões que estavam ocorrendo naquele momento, tal como agora (mas não com tanta intensidade), e diante de minha aquiescência, sorriu e disse: “que a irmã possa tornar-se ardente defensora da doutrina dos Espíritos, pois isto é apenas o começo”.  

O tempo tratou de mostrar que a imaturidade do senso moral, o orgulho, a vaidade humanas abririam um vácuo enorme entre os ensinamentos dos Espíritos Superiores e  seus pretensos divulgadores.
José Herculano Pires, outro ardente defensor do Espiritismo lutou intensa e bravamente contra as alterações no Evangelho Segundo o Espiritismo que uma grande instituição de São Paulo promovera, publicando  centenas de livros numa 1ª. edição afirmando que, assim, tornava o evangelho de Jesus mais “palatável” à leitura dos mais humildes.

Sem contar com as afirmações de Espíritos encarnados e desencarnados  provenientes do antigo e provecto docetismo, afirmando peremptoriamente que Jesus tinha corpo fluídico, em uma série de 4 livros, leitura obrigatória numa instituição que até hoje se intitula orgulhosamente casa máter do Espiritismo.
Os livros dos autores citados são “Pureza Doutrinária”, “Na hora do testemunho” e “A Pedra e o Joio”. As biografias de Bezerra de Menezes relatam o seu imenso esforço para amenizar as lutas entre os litigantes do Espiritismo em sua época...

Como dissemos, a teoria docetista ainda prevalece naquela instituição. Os livros alterados inadvertidamente pela instituição em São Paulo acabaram por ser recolhidos, embora alguns já tivessem feito seus estragos, e J.Herculano Pires foi banido e proibido de lá frequentar.
Alguém poderia dizer: mas isto ficou no passado!

Sim, o tempo passou mas novos problemas surgem no caminho do Espiritismo, impedindo-o de crescer e consolar e esclarecer os milhões de almas hoje caídas em desespero e desequilíbrio.
Enquanto o ser humano não combater o orgulho e sua filha predileta, a vaidade, e o egoísmo, que gerou um filho degenerado, o individualismo feroz, o Espiritismo continuará a ser agredido, ridicularizado, alterado sem as mínimas considerações éticas, desapropriado em sua autenticidade e legitimidade e abrigará a contragosto ideias esdrúxulas advindas da pura ausência de respeito ao trabalho dos Espíritos Superiores e a Allan Kardec, além de, o mais grave, perder-se a oportunidade de elucidar e aclarar os grandes problemas humanos.

Purismo? Não creio. No entanto, vejamos o conceito de purista, que pode ser checado em qualquer bom dicionário: “Sujeito que se opõe às mudanças; que não aceita modificações de normas, padrões;  Exemplos :  Chamado de "Deus" pelos fãs, Clapton aborda sua formação musical, que tem como base a música negra norte-americana, particularmente o blues - o que o levou a buscar uma direção purista dentro desse gênero nos primeiros anos de carreira. (Folha de São Paulo, 22/02/2010)
Os próprios donos do local não fazem questão de manter segredo a respeito de sua crença --mas alegam que são diferentes da corrente "purista" do Criacionismo, porque o zoológico explica a vida a partir de "ambos, Deus e a evolução". (Folha de São Paulo, 27/08/2009) (Consulta em 18/08/2015 http://www.dicio.com.br/purista/ )

“Na arte, o purismo foi um movimento que defendia uma pintura sem valores emocionais, racional e rigorosa. Sem subjetividade e qualidades decorativas” (...) “O purismo também pode ser uma orientação teórica, que objetiva a compreensão de um fenômeno defendendo estritamente a pureza de uma tradição ou ortodoxia. Caracteriza-se pela rejeição sistemática de qualquer possibilidade ou proposta de alteração em uma doutrina ou ortodoxia.” (pesquisa feita em 18/08/2015 https://pt.wikipedia.org/wiki/Purismo )   
Pelas definições acima podemos verificar que a defesa da Verdade Espírita não se enquadra nessas definições. Vejamos os dicionários filosóficos (o Espiritismo é fundamentalmente Filosofia): o adepto da “pureza doutrinária” seria “purista”: “grupo ou partido que, no seio da Igreja da Inglaterra, quis, do interior, e a partir dos anos 1560, levar a reforma dessa igreja até o modelo das igrejas calvinistas do continente europeu, etc., etc. “ (...) O purismo leva à doutrina puritanista, “uma forma de calvinismo.” (Dicionário de Ética e Filosofia Moral, Editora Unisinos, 2ª. ed., 2013, pg. 861);  Puro: termo muito usado em Filosofia (...), que não contém em si nada de estranho, exemplo, corpo quimicamente puro, cultura pura, define do mesmo modo a pureza do prazer ou da dor das quais faz um dos pontos a considerar no seu cálculo utilitário; chama-se puro a todo conhecimento que não está misturado com nada de estranho – mas diz-se que um conhecimento é puro quando nele não se mistura nenhuma experiência ou sensação e, por consequência ele é possível, inteiramente, a priori (Kant).” (Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia, Lallande, ed. Martins Fontes, 3ª. ed., 1999, pg 893).

Neste mesmo último Dicionário, encontramos a definição de Radicalismo filosófico : há referências ao radicalismo político, econômico e filosófico de Bentham e Mill; com pontos fundamentais em liberalismo total, econômico, comercial, industrial, superioridade do governo representativo, etc., etc.
O Dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano praticamente repete Lallande com outras palavras.

O Dicionário de Filosofia Espírita, resultado de intensa e memorável pesquisa de L.Palhano Jr, (Ed. CELD), diz : Pureza: “inocência, singeleza, sinceridade, perfeição de caráter (...)”, o autor refere-se igualmente aos Espíritos Puros  como já desprovidos das influências materiais, segundo Allan Kardec.
Poderíamos discutir cada definição dessas acima num confronto direto com a chamada “pureza doutrinária”, mas preferimos deixar esse esforço aos nossos nobres leitores.

Com todo esse material poderíamos concluir que o sentido do conceito estabelecido por Lex e Herculano nos levam a entender que eles queriam (e querem) que os espíritas não usem o Espiritismo como instrumento especulativo de suas próprias ideias e concepções. E mais, como degrau ascensional de suas vaidades e individualismos. E isto também serve para os desencarnados. Porque?
Simplesmente porque os princípios espíritas, eternos, imutáveis, cósmicos e universais, Deus, Espírito e Matéria, desenvolvidos em estudos profundos por Allan Kardec e os Espíritos Superiores são alimento para a alma, hoje andando sobre as brasas da violência, da corrupção, das enfermidades, do ódio e da discórdia; os Espíritos Superiores certamente desejam que as novas gerações que aqui chegam diariamente através da reencarnação, encontrem um ambiente psíquico saudável e salutar para o seu desenvolvimento e para a contínua renovação do planeta.

O mal está em acreditar que a Doutrina de Luz é mutável como nós somos, incoerentes como é a raça humana, dúbia como o pensamento humano, relativa e inconstante como todos nós fomos e continuamos a ser, com as sempre louváveis exceções.
E, finalmente, como o Espiritismo “evolui”?  Sua ciência, que revelou a vida em outras dimensões com coerência metodológica, se aproximará cada vez mais dos cientistas encarnados, estimulando-os às descobertas necessárias dessa Vida vibrante em outras dimensões aos quais pertencemos e para onde voltaremos, melhorando com isso a vida no planeta.  

Quanto ao sentimento ético e moral, só tende a desenvolver-se, à medida em que respeitarmos a vida sob todas as formas em que ela se manifeste.
Sua Filosofia, centrada em seus princípios eternos e imutáveis, tornar-se-á cada vez mais clara à proporção em que evoluirmos.

Donde concluirmos que o que precisa de evolução é a alma humana, que, trabalhando as suas convicções e abrindo mão de suas crenças antiquadas poderá alcançar o sentido do Espiritismo em sua vida e na vida do planeta, desta forma, entendendo que a Doutrina poderá alicerçar essa caminhada, como a mais pura bênção aos corações fatigados e às mentes exauridas, mas plenos de esperança, do verbo esperançar.  
Leituras sugeridas (além das já citadas no texto):

Instruções de Allan Kardec ao Movimento Espírita – Allan Kardec (coletânea de artigos)
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. Os Falsos Cristos e Falsos Profetas

O Livro dos Médiuns, Allan Kardec
O Verbo e a Carne, José Herculano Pires

Sol nas Almas, Espírito André Luiz, Cap. 29, A Defesa da Verdade
A Esquina de Pedra, Wallace L. Rodrigues (relatos sobre a fase de deturpação dos ensinos de Jesus)

Recordações da Mediunidade - Yvonne do Amaral Pereira
Quando Jesus se tornou Deus – Richard E. Rubenstein  

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

DESAFIOS DA VIDA FAMILIAR



Ao longo dos séculos o conceito de família estabelecido através das culturas tribais, agrícolas, guerreiras, monárquicas ou burguesas, matriarcais ou patriarcais deixou suas marcas nas sociedades da modernidade e da pós-modernidade.
A simples união entre macho e fêmea no passado remoto cedeu lugar à instituição da união formal, onde o casal estabelece laços de afeto e tem seus filhos para a educação e para a vida num ciclo infinito de formação societária. Contudo, as reminiscências de poder estabelecido nas culturas antigas e medievais deixou como herança no inconsciente coletivo o sentimento de posse sobre a família e a prioridade do “meu” em detrimento do “nosso”. Os filhos “pertencem” aos pais, o apego é natural e espontâneo; as relações entre marido e esposa acabam se transformando num hábito de convivência nem sempre harmônica. E quem perde é a família.

Como se não bastasse, a tecnologia substitui o contato familiar; as conversas ao redor da mesa de almoço ou jantar no tempo de nossos pais e avós foram substituídas pela convivência com a TV, tablets e celulares, mesmo à mesa (ou fora dela). Laços de afeto se tornam laços de convivência fortuita, pela manhã ou à noite, quando muito.
E quando a TV exibe bons seriados mostrando as relações familiares do passado, a geração líquida (segundo Bauman) tem reações as mais diversas, desde a rejeição imediata até o estranhamento total.

O grande desafio para a família está no estabelecimento de prioridades no campo da educação e da convivência. A educação espírita traz novos conceitos a uma sociedade farta de novidades de ponta mas que não supre as suas necessidades de afeto, convivência fraterna e de altruísmo. Por isso, ajudar um refugiado de um país distante se torna um desafio inamovível. Se somos estrangeiros em nosso próprio núcleo familiar, o que se dirá a família do “outro”, o desconhecido, o estranho, o rejeitado. 
Tenhamos em mente a fraternidade legítima pregada por Jesus de Nazaré e desenvolvida pelo Espiritismo, estudado, sentido e vivido. E certamente o mundo mudará para melhor. 

Sonia Theodoro da Silva, Filósofa
São Paulo, Brasil.           

segunda-feira, 18 de julho de 2016

EM NOME DE KARDEC-MENSAGEM DE FLAMMARION



Nós, do CEFE-CENTRO DE ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS, também prestigiamos os bons livros, os livros sérios e que realmente representem  a Doutrina de Luz. É o caso de "EM NOME DE KARDEC", de Adriano Calsone, da Vivaluz Editora.
Mas, o que mais me surpreendeu, foi a mensagem atribuída a CAMILLE FLAMMARION, grande astrônomo em seu tempo, autor de uma obra de cunho espírita e espiritualista - Flammarion, de personalidade voltada às pesquisas científicas,  foi o autor do discurso em homenagem à Kardec, quando de seu sepultamento e que consta de Obras Póstumas.

A mensagem psicografada que postamos abaixo, é superlativamente elucidativa, bem como o livro de Calsone, que revelam os reais motivos que levaram à derrocada do Espiritismo na Europa e Estados Unidos - talvez os mesmos que hoje entravam a boa divulgação e os bons trabalhos de cunho realmente espíritas hoje no Brasil.

Como disse Jesus de Nazaré, "a cada um será dado conforme as suas obras", e àqueles que conscientemente entravam a marcha do Espiritismo, que seria e é o grande Consolador para o espírito humano, colherão o que merecem, quando do reconhecimento de seus erros e enganos, mas acima de tudo da sua ausência de maturidade espiritual consciente.
E por falar em tomada de consciência, a grande missão do espírita consciente, principalmente o divulgador espírita, é o de anular o seu personalismo em nome do Espiritismo, tal como fez o Codificador.  Aliás como fizeram os grandes missionários do Bem, a favor da causa de Jesus de Nazaré.


"Falar em nome do Codificador do Espiritismo. Esta é uma responsabilidade que muitos assumem sem atinar para os impactos da influência que exercem sobre aqueles que estão iniciando as descobertas espirituais. Seguir Kardec é seguir os princípios revelados pelos Espíritos superiores, sob a orientação do Espírito da Verdade.

Em nossas experiências espirituais, após deixarmos o corpo físico, chega o momento do balanço das conquistas e derrotas.  Morrer é enfrentar, acima de tudo, a verdade sobre o quanto de valor conseguimos conquistar em nossa passagem pela Terra. Na maioria das vezes, o resultado nos entristece. Então, somente o recomeço pode aplacar a dor de ver desperdiçada uma encarnação. Aproveitamos ao máximo a permanência no mundo espiritual para aprender e, com relativa lucidez, trabalhar em nome deste Espírito da Verdade, o qual Kardec soube honrar, desincumbindo-se com êxito de sua difícil e árdua missão.

Falar em nome de Kardec é assumir para a vida esse compromisso de servir a Bem, à Verdade, doa o que e a quem doer.

Esta obra nos brinda com reflexões preciosas. Em sua linguagem agradável, a leitura flui com facilidade. É, de fato, um prazer acompanhar  autor em suas descobertas sobre fatos do passado que foram tão marcantes, a ponto de desencadearem a ruína do Espiritismo na Europa e nos Estados Unidos. E a sua relevância está justamente em apresentar um momento do passado que se repete no presente.

O trabalho de fundação e divulgação do espiritismo transferiu-se para a pátria do Evangelho. Aos brasileiros foi concedida a oportunidade de guardar esse tesouro espiritual e a incumbência de resguardar e divulgar a Doutrina Espírita.

Neste momento, grandes lideranças do Movimento Espírita retornam ao mundo espiritual. Almas valorosas que, cumprindo a sua missão, voltam para aferir os resultados e fazer a avaliação de suas experiências terrenas. Muitos, retornam, já assumem novas responsabilidades. Afinal, o descanso é a consciência serena e a paz do dever cumprido.

Essas lideranças deixam um vazio, tal qual o Codificador outrora deixou. E esse vazio será fatalmente preenchido. Novos trabalhadores estarão à frente, na direção do Espiritismo no Brasil e pela sustentação deste legado em todo o mundo.

Mais do que nunc a, que as bases do trabalho de Kardec sejam fortalecidos entre os espíritas que se comprometeram a servir em suas fileiras. Que todos os que se dizem espíritas, realmente o sejam. São inúmeros os desafios em distinguir-se com clareza o que é o Espiritismo trazido pelo Espírito da Verdade, e o que se fez do Espiritismo, adaptando-o às necessidades de cada um, às influências presentes e passadas de cada alma.

Sabemos muito bem quais são essas dificuldades. Nós as experimentamos pessoalmente no passado, confundindo Espiritismo com outras correntes de pensamentos. Amargamos arrependimento. Entretanto, aqui estamos, secundando os esforços daqueles que estão na Terra para trabalhar para o Bem, servindo a Jesus. Somos muitos e permanecemos em estreita sintonia com os que se comprometeram em levar o Espiritismo avante. E creiam-me: nada é comparável ao êxito espiritual. Somente aqueles que venceram, superando os desafios naturais da jornada, conhecem a plenitude de chegar ao termo da encarnação espiritualmente vitoriosos.

Trago sempre comigo as palavras de ERASTO aos espíritas:

“ Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo!  Sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados.”

O convite permanece. Aqui estamos para, juntos, prosseguirmos, em Nome de Kardec, nessa tarefa em favor do progresso da humanidade.

Que a paz de Jesus nos envolva a todos.

Deste vosso servo e servo de Jesus.

Camille Flammarion

(Página psicografada pela médium Sandra Carneiro, 17/07/2015)."

Esta mensagem compõe a Introdução do livro EM NOME DE KARDEC, de Adriano Calsone.   Os grifos contidos na mensagem são meus. 
SONIA THEODORO DA SILVA               
 

 

sexta-feira, 15 de julho de 2016

CONVULSÕES SOCIAIS APOCALÍPTICAS

Fonte: Le Figaro

Leia e reflita : mensagem espiritual em http://filosofandocotidiano.blogspot.com

sábado, 9 de julho de 2016

170 ANOS LÉON DENIS - CAFÉ FILOSÓFICO ESPÍRITA

 
LANÇAMENTO DVD FILOSOFANDO - ASSISTA AO VI CAFÉ FILOSÓFICO ESPÍRITA EM COMEMORAÇÃO AOS 170 ANOS DE LÉON DENIS
 
 
 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

CAFÉ FILOSÓFICO-ESPÍRITA !!


OLÁ,
 
NÓS, DO CEFE-CENTRO DE ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS, CRIAMOS O CAFÉ FILOSÓFICO-ESPÍRITA, EVENTO ONDE VOCÊ PODE APRECIAR TEMAS E ASSUNTOS ATUAIS SOB A VISÃO FILOSÓFICO-ESPÍRITA, E AINDA TOMAR UM CAFÉ SABOROSO AO MESMO TEMPO EM QUE CONVERSA COM OS CONFERENCISTAS, E CONFRATERNIZA COM OS AMIGOS
 
NESTE MÊS DE ABRIL, MÊS EM QUE COMEMORAMOS O ANIVERSÁRIO DA SEGUNDA EDIÇÃO DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS, TEREMOS A PRESENÇA DE LUCIANO GRISÓLIA MINOZZO, CONFORME O INFORME ABAIXO
 
VOCÊ E SUA FAMÍLIA SÃO NOSSOS CONVIDADOS, COMPAREÇA !! 
 
 
 
A Obsessão Segundo a Filosofia Espírita
Pesquisa na Codificação e Revista Espírita
 
LUCIANO GRISÓLIA MINOZZO
Engenheiro Elétrico, pós graduado em Telecomunicações, fundador da Associação dos Engenheiros Espíritas de São Paulo (ASEESP), atua no Grupo de Ação Espírita (GAE), onde pesquisa temas históricos do Espiritismo, articulista na imprensa espírita nacional, e expositor de tribuna do CENLCAL, Conferencista do
CEFE-CENTRO DE ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS   
 
16/abril - 9h às 12h U.D. Santana (r. Duarte de Azevedo, 691, metro Santana)
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 17 de março de 2016

BRASIL DE LUTO - O MEU AMADO PAÍS





Coração do mundo ... pátria do Evangelho ... há quem veja privilégios nestas palavras... e até uma certa arrogância; muitos julgaram ou julgam o Brasil a nova terra prometida e, nós, brasileiros, o povo escolhido que abrigaria os novos tempos. Contudo, o conceito de pátria do Evangelho é bem mais abrangente: na verdade estamos todos unidos, por afinidade, desde o passado remoto até o presente contundente: trânsfugas morais, adeptos de posturas equivocadas; desde todos os tempos, de todos os recantos da Terra, de todas as crenças e filosofias, de todas as posições sociais, de todas as sociedades e culturas, em um só e imenso lugar, onde tivéssemos as condições propícias para mudar...     

Brasil... de costas imensas, de largas e extensas praias, de selvas verdes e matas densas, de  mares verdes e de aves multi coloridas, de felinos belos e serenos; do boto que se confunde com o rapaz bonito da lenda criança; da pantera, da onça, do tucano e do papagaio; do mico leão dourado e das borboletas azuis... do cãozinho amigo e do gato ladino; das árvores que encantam, que ensombram, que fazem a chuva chover... das noites enluaradas e das estrelas sem fim... do calor que assusta e do frio que faz sofrer...

Visto do alto, o meu Brasil se confunde com outras terras e outros mares tão azuis e tão extensos que minha vista mal alcança...o meu Brasil de terras imensas, de águas ocultas, de rios largos e imensos, de peixes tão grandes quanto pequenos. Visto do alto, meu Brasil me comove - quem é você, Brasil? De quais lugares você veio e onde você está? Quem te construiu, quem sustenta as tuas fronteiras?

Do alto do mais alto pico do Brasil eu poderia estender meus braços e abraçar o meu país, e torná-lo pequeno, e afagá-lo como a uma criança, como a um filho querido que geme e se contorce em suas dores, dores tão grandes que saem às ruas, que se revolta, que chora e se espreme em veículos que o conduzem à busca do trabalho distante, ou do divertimento imposto e bancado pelos novos colonizadores e catequizadores de ideias.

Quem é você, meu Brasil, personificado em milhões de olhares úmidos de pranto por seus filhos perdidos pela bala “perdida”... quem é você, meu Brasil querido, personificado em milhares de crianças e jovens que, na escola, mal sabem ler e escrever uns, ou que se perdem nos desequilíbrios da busca desenfreada do prazer que, logo trazendo o vazio,  sai e sai novamente sem rumo, sem destino...quem é você, meu Brasil, cujo olhar suplicante busca nos altares frios e distantes a resposta para o seu desencanto...

Quem é você, meu Brasil de milhões de esperanças e de outro tanto de almas enfermas da alma; quem é você meu Brasil que busca num simples jogo de bola a alegria distante...

Porque, meu Brasil, tantos te tratam assim? Porque de tuas matas mortas, de teus animais em extinção, de tua água que seca, tamanha a poluição... E eu afago o meu país pequeno em meus grandes braços, e tal como o profeta, levanto o meu país à vista d’Aquele que o criou, à vista daquele que é maior do que eu mesma, do que todos, e que esteve entre nós nos ensinando a caminhar,  e o entrego nos Seus braços, e peço, e oro, pelo meu Brasil, para que possa andar com suas pernas vacilantes, que possa sorrir de vera alegria, que possa ver em torno de si a grande promessa de paz, que possa abraçar e ser abraçado, amar e ser amado, sem medo, sem raiva, porque crescido, adulto, educado, maduro e irmão.              

Que o meu Brasil possa sair de madrugada, e seguir para o seu trabalho compensador, e encontrar a rota certa, a segurança, a realização. 

Que o meu Brasil não dependa de quem quer que seja para alimentar-se, cuidar-se, ter seus filhos, comprar sua casa – porque tudo, tudo que fizer e realizar e respeitar reverterá a seu favor.

Que o meu Brasil respeite mares e lagos, rios e matas, animais e humanos, pois tudo faz parte do mesmo ciclo de vida, porque sabe que se assim não fizer, simplesmente morrerá.

Que o meu Brasil tenha seus representantes legítimos porque eleitos pela Verdade e pela Verdade trabalharão.

Que o meu Brasil apague de sua lembrança os maus governantes, os manipuladores, os corruptos e corruptores, os roubadores, os criminosos, os mentirosos e hipócritas, os que deturpam a paz e lesam os bens públicos; e que este momento não passe de aprendizado – longo, doloroso e definitivo aprendizado - em busca da honestidade, dos valores e virtudes humanas que a sustentam e à Vida.

 
Que o meu Brasil reconstruído pelo trabalho, pelos estudos, pela capacidade que tem de  sentir  empatia, afaste de si o egoísmo feroz e o individualismo doentio, que empobrece as suas capacidades, que o torna menor, que o submete à manipulação, e bloqueia o seu imenso potencial de realização.

Que o meu Brasil reconstruído pelo Amor, a ele finalmente dê guarida, abrindo os seus braços para os filhos das guerras distantes, das tragédias que ferem, dos dramas ocultos, das perseguições inumanas e cruéis.

Que o meu Brasil gigante acredite em si mesmo, mas seja tão humilde quanto a sua imensa capacidade de compreender.

Que o meu Brasil querido seja o coração que ama e a terra do Amor, que, personificado e nascido um dia, partiu mas nunca nos deixou.

Brasil: ergue-te, realiza, trabalha, acredita, ama, suba aos montes mais altos, eleva-te em espírito e de lá, visualiza o imenso caminho que te cabe; ele está perto de ti, bem perto, tão visível quanto as estrelas, tão fresco quanto as ondas do mar, tão vivo quanto as árvores,  silentes, belas e partícipes da vida – sai em busca das tuas bem-aventuranças,  segue a Luz que te criou, encontra-te contigo mesmo, e com todos os que te cercam. 

Meu Brasil jamais se submete, jamais se escraviza, a nada e a ninguém, a nenhuma circunstância. E o meu Brasil refeito e reconstruído, espiritualizado e trabalhador, finalmente estará pronto para abrigar a Paz – e de seu imenso coração emanarão os mais sublimes sentimentos que abraçarão a Terra inteira, os nossos irmãos.

OREMOS E CONFIEMOS !  AGIR COM PAZ E EQUILÍBRIO!

Sonia Theodoro da Silva - 16 de março de 2016
www.filosofiaespirita.org  

DIANTE DOS ATENTADOS EM BRUXELAS EM 22 DE MARÇO DE 2016 VEJAM O POEMA "CULTIVO UMA ROSA BRANCA" EM WWW.FILOSOFANDOCOTIDIANO.BLOGSPOT.COM

sábado, 12 de março de 2016

Mudança Planetária: Esperanças e Consolações




     Os Espíritos Superiores que assessoraram Allan Kardec em seu magnífico trabalho de síntese propiciaram à humanidade todas as condições que poderiam levá-la à mudança de paradigmas. 

     Segundo a afirmação de Emmanuel, as revelações “evolucionam numa esfera gradativa de conhecimento” e, desta forma, vai ao encontro do pensamento do codificador – “as verdades morais constituem elementos essenciais do progresso”.  Podemos deduzir, assim, que o senso moral vai se desenvolvendo à medida que os indivíduos sentem necessidade de uma complementaridade aos conhecimentos desenvolvidos e adquiridos, gerando um processo magnífico de completude em que razão e coração se integram, coesos, numa mesma aspiração pessoal e coletiva – a felicidade.  

    Quando os Espíritos disseram que o Espiritismo seria “o Consolador prometido por Jesus”, imediatamente os corações imaturos deduziram que a esfera espiritual com eles se comunicaria a cada momento tormentoso de suas vidas, dando respostas e soluções aos problemas afligentes e angustiosos.   

    Contudo, a filosofia espírita é bem clara e objetiva – o ser humano progride e, ao progredir, deve assumir responsabilidades. Estas, por sua vez, lhe garantem a segurança necessária para bem conduzir-se numa jornada segura, de paz e tranquilidade interior, o que não significa que outras pessoas assim agirão, uma vez que convivemos num vasto oceano de diversidade cultural, moral, intelectual, religiosa e, finalmente, evolutiva.      

    Nunca foi tão necessário buscar consolo no Evangelho de Jesus, em suas palavras, atitudes, conselhos. A sua presença é a do amigo de todas as horas, a do crucificado que voltou da morte a dizer que ela é apenas uma percepção incompleta, precária e aparente. Jesus não ressuscitou, ele mostrou que a morte do corpo não destrói o Espírito imortal; Jesus não é Deus, é a plenitude da evolução a que pode chegar um Espírito em contínuo progresso.   

     As adversidades e atribulações que atravessamos atualmente fomentam a descrença, o dissabor, a divisão e a somatização de problemas os mais diversos, enclausurando a alma humana numa visão de mundo em que a esperança (de esperançar, de estimular as boas expectativas) não encontra espaço nas mentes fatigadas pelas tragédias do cotidiano e dos eventos mundiais.   

   Jesus e seus apóstolos viveram num mundo em transição, passagem das crenças mitológicas para a fé racional que se completaria dois mil anos depois com a Filosofia Espírita. Daquela época para cá o ser humano obteve muitas conquistas, porém busca alimentar-se apenas de satisfações imediatistas que os desconcertos do Espírito impedem- no de olhar para o futuro de forma otimista e assertiva.     

     O Livro dos Espíritos, perg.119, traz uma instrução de Paulo de Tarso: “para atingir a plenitude, três coisas são necessárias: a justiça, o amor e a ciência; três coisas lhe são opostas: a ignorância, o ódio e a injustiça.” E completa: “... aquele que por um falso impulso da alma se afasta do objetivo da Criação, que consiste no culto harmonioso do belo e do bem idealizados pelo arquétipo humano, Jesus, é responsável (pela desorganização social).” 

    Este é o momento de mudança de paradigmas. Para tanto, temos o impulso natural para o Bem que trazemos conosco; temos modelos auspiciosos que poderão ser implantados a partir dos espaços vazios gerados pela dor e pela perda. Os Espíritos que colaboraram na Codificação estão e estarão ao nosso lado para que realizemos em nós e junto a nós esse novo modelo de paz e prosperidade espiritual, modelando a nova civilização que tanto desejamos.  

Sonia Theodoro da Silva

Bacharelanda em Filosofia 

(Publicado no Journal of Psychological Spiritist Studies em 08 idiomas e circulação em toda Europa e Russia)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

THE YOUNG MESSIAH



Olá,
veja os traillers dos novos filmes que estarão em cartaz em breve : RISEN (ainda sem título em português) e THE YOUNG MESSIAH (também ainda sem título em português).

Vamos assistir e interpretá-los conforme os dados históricos atuais e desenvolvidos por Universidades norte-americanas e européias na busca pelo  Jesus histórico, mas tendo em mente os conteúdos de conhecimento que a Filosofia Espírita nos fornece.

Bons filmes !!!

ACESSE NO HTTP://VERVISAOESPIRITADARELIGIOSIDADE.BLOGSPOT.COM

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

CARNAVAL OU MOZART ? UM DIÁLOGO ATEMPORAL



Um dia conversávamos com um Maestro e com uma Pianista. E a nossa conversa girava em torno de, claro, música. Foi quando o Maestro, desviando o assunto, exclamou: Mas, e o carnaval? Onde fica a cultura nesses dias onde tudo é permitido? Quando as mulheres esquecem o pudor e os homens, ah, estes nem se fala!..

O prezado leitor já deve ter percebido que o querido Maestro pertencia à geração dos antigos. Prosseguiu ele: Eu me lembro de quando era criança, apreciava as brincadeiras, os carros que saíam às ruas em desfile. Meu tio-avô era um dos aficcionados da festa de Momo. Ele reunia seus amigos, e todos saíam em seus automóveis, portando máscaras e lança-perfumes - a máscara, para que ninguém os reconhecesse e o lança-perfumes, para que, embriagados no doce aroma, pudessem permitir-se ao divertimento, sem qualquer constrangimento.

E assim era durante os quatro dias. Na quarta-feira - ah,a contradição -, iam todos em fila à Catedral da Sé, vestirem-se de cinzas, pedirem perdão dos excessos cometidos, das homéricas bebedeiras, dos beijos roubados, das palavras mal-ditas, das noites boêmias mal-dormidas. Ah, a consciência !

Ao que a Pianista acrescentou - e as músicas, então? Simples jogos de palavras soltas, sem qualquer pretensão de aculturamento, mas, ao contrário, desprestigiando a cultura brasileira. Veja só Noel Rosa! Veja Pixinguinha! O que Villa-Lobos diria?

E eu, ouvia e meditava. Será que eles tinham ouvido falar de Tom Jobim? De Ari Barroso e do "Aquarela do Brasil"? De Chico Buarque e de suas músicas contra a Revolução de 64, que trouxe a ditadura ao Brasil? De Toquinho e Vinícius? Foi quando deu entrada à sala, o Escritor: Bem, querido Maestro e prezada Pianista, onde fica Lobato nesta história? Sem falar dos universais Castro Alves, Alencar, Victor Hugo, Alexandre Dumas, e Charles Dickens? E Shakespeare? E o nosso Machado? Falando em Universais, disse o Maestro, falemos de Mozart! E bateu palmas, feliz.

Quando ele disse - Mozart - meu coração quedou-se, como num staccato de uma grande sinfonia. E num momento atemporal, onde não existe espaço, nem dimensões como as conhecemos, mas um grande Silêncio, ali, à minha frente, num maravilhoso foco resplandecente de cores e luzes, surgiram como num mosaico em movimento, todos os grandes compositores, pensadores, instrumentistas e virtuoses, poetas, pintores, escultores, educadores, estetas, num portentoso concerto em homenagem à ela, a Arte. E seja por inspiração do grande compositor, ou porque o momento era propício, a sala transformou-se, feéricamente iluminada por lustres invisíveis como de cristal, aumentando suas dimensões, atingindo as esferas celestes, transfigurando os nossos personagens, mudando o teor e o colorido das conversações.

E o Escritor, inspirado, disse: O objetivo essencial da Arte, é a busca e a realização do Belo; é, ao mesmo tempo, a busca de Deus, uma vez que Deus é a fonte primeira e a realização perfeita do Bem e do Belo.

Ao que o Maestro retrucou: Mas quanto mais a inteligência se purifica, se aperfeiçoa e se eleva, mais se impregna da idéia do Belo!

Disse a Pianista: Sim, o objetivo essencial da evolução será, portanto, a busca e a conquista da beleza (em sua essência, sem atavismos e aparências), a fim de realizá-la no ser e em suas obras. Tal é a regra da alma em sua ascensão infinita.

Na Terra, completou o Escritor, nem todos os artistas inspiram-se nesse ideal superior. A maior parte limita-se a imitar o que chamam "a natureza", sem se aperceberem de que esta não é senão um dos aspectos da obra divina. Porém, no espaço, continuou a Pianista, a arte se reveste, ao mesmo tempo, das mais sutis e mais grandiosas formas, e ilumina-se com um reflexo divino.

E o Maestro: meus caros, nada se iguala à Música. Vejam uma “Meditação de Thaís” de Jules Massenet! Quanta grandiosidade, quanta leveza!

E eu, pobre mortal, pensei, mas, e Mozart, e o carnaval?

Continuou o Maestro, lembramos aqui que todo Espírito que emana de Deus não apenas possui uma centelha da inteligência divina, como, ainda, goza de uma parcela do poder criador, poder que ele é chamado a manifestar cada vez mais no decorrer de sua evolução, tanto em suas encarnações planetárias quanto na vida no espaço.

Na Terra, sob o véu da carne, essa inteligência e esse poder ficam diminuídos; e contudo é maravilhoso constatar até que ponto o talento do homem pôde subjugar as forças brutais da matéria, vencer a sua resistência, sua hostilidade, submetê-las às suas necessidades e até mesmo às suas fantasias!

Tornei a pensar, neste caso, Beethoven, Brahms, Bach, Carlos Gomes, Dvorak, Tchaikowsky e outros, seriam exemplos disto?

Certamente, respondeu o Escritor. Mas eu apenas pensei! E ele respondeu-me!

Sim, querida menina, o pensamento cria formas, sons, em um grau mais elevado, por exemplo nas materializações de Espíritos, a vontade destes cria formas, rostos, vestimentas, atributos semelhantes aos que eles possuíam na Terra e que nos permitem reconhecê-los, identificá-los. A vontade lhes dá a consistência necessária para tocar os sentidos dos observadores. Os Espíritos Mozart (até que enfim, pensei novamente), Victorien Sardou e outros erigiram para si palácios ornados de plantas e de flores.

Prosseguiu o Maestro, inspirado pela citação do nome de Mozart: O papel essencial da Arte é expressar a vida com todo o seu poder, sua graça e sua beleza. A Arte se eleva e progride em todos os graus da escala da vida realizando formas cada vez mais nobres e perfeitas, que se aproximam da fonte divina de eterna beleza.



E qual não foi o meu espanto, quando deu entrada à sala, nada mais nada menos que o Filósofo, que, aproximando-se, sorridente, exclamou: A música é uma lei moral. Dá alma ao universo, asas ao pensamento, saída à imaginação, encanto à tristeza, alegria e vida a todas as coisas. Ela é a essência da ordem e eleva em direção a tudo o que é bom, justo e belo, e do qual ela é a forma invisível, mas, no entanto, deslumbrante, apaixonada, eterna.

Prosseguiu nosso Filósofo: O infinito das idéias, dos quadros, das imagens, é como um desafio aos limitados recursos do vocabulário terrestre. Com efeito, como encerrar em palavras, como resumir em palavras todo o esplendor das obras que se desenvolvem nas profundezas dos céus estrelados?

E voltou os olhos ao Educador (que, esqueci-me de citar, quedara em silêncio todo esse tempo). Ao contrário do que se imagina, começou a dizer, todos podemos acessar o Belo, pois ele é lei soberana, objetivo supremo do universo. Todos os problemas do ser e do destino resumem-se em poucas palavras. Cada vida deve ser a construção, a realização do belo, o cumprimento da lei.

Neste instante, todos (eu inclusive), silenciamos a palavra e o pensamento. Não mais nos preocupávamos com as manifestações próximas do carnaval que, se no passado trazia a imagem de uma alegria fortuita e permitida (não seria permissiva?), hoje, enlouquecia os Espíritos, na afanosa tarefa de os fazer voltar as manifestações instintivas de satisfações efêmeras, desequilibrantes, minimizando, senão anulando as capacidades evolutivas em ascensão.

Lembrei-me de Emmanuel: Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças das trevas nos corações e às vezes toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.

A triste festa iria começar em breve. Resquícios de costumes perdidos na Antiguidade de nossa cultura ocidental, pensei, que alegria é esta que se manifesta e exige bebidas, gritos, fantasias, carros alegóricos e desregramentos para se manifestar? E o mais grave: Por quê, se estamos num mundo grande parte cristão? Mas, de pronto, lembrei-me das palavras da personagem Magda, do livro Madalena, A Conversão do Mundo: é o fermento levedando a farinha. Lembremos a parábola de Jesus. Uma medida de fermento faz levedar a massa de farinha, mas para isso tem de misturar-se com ela. O processo de fermentação é lento e apresenta várias fases. O Evangelho está no mundo e vem levedando a sua massa há quase dois mil anos. A massa cresce, mas nova farinha lhe é adicionada a cada geração. A farinha do mundo está num saco invisível, e esse saco tem as dimensões do infinito. E esse pouco mais é o acréscimo da dimensão cristã à consciência humana. O Evangelho é esse acréscimo, uma pequena medida de fermento a levedar a massa do mundo. Nosso conhecimento possível é também uma medida de fermento e precisamos cuidar que ela não se perca, não se deteriore.

Voltei os olhos ao Maestro, à Pianista, ao Escritor, ao Filósofo, ao Educador. Ainda teríamos um bom tempo antes que a humanidade em nós cedesse lugar à Espiritualidade - mas, nesse ínterim, teríamos que passar por uma extensa trajetória de aprendizado e conscientização. Lembrei-me ainda das equipes espirituais no trabalho constante de aprimoramento da ética e da moral, através de seus dignos representantes na Terra e no Espaço. Com Sócrates, a estimular o Ser à busca de si mesmo, no auto-questionamento, na perquirição filosófica constante. E a partir dele, seguiram-se na linha do tempo as figuras dos Grandes Imortais em todos os ramos da Cultura, da Arte, das Ciências Exatas, da Filosofia, da Educação, das Religiões. Foi quando todos eles me disseram: O Espírito humano não pode se elevar até as supremas alturas da Arte cuja fonte é Deus, mas ele pode, ao menos elevar a elas as suas aspirações.
E como transformar as nossas aspirações em anseios de ascensão? Ou seja, qual o caminho a seguir para alcançar uma visão de vida menos materialista, menos embrutecida, menos niilista, menos imediatista, menos omissa?

E eles, sorrindo diante de minhas dúvidas, disseram: Toda ascensão da vida à perfeição eterna, todo esplendor das leis universais, resumem-se em três palavras: Beleza, Sabedoria, e Amor. E acrescentou o Filósofo: Quando nós, seres humanos, encontrarmos dentro de nós mesmos e no outro a projeção Divina do Bem e do Belo, saberemos exteriorizar de forma mais adequada a nossa bagagem interna. Até lá, lutaremos pelo entendimento, pela compreensão; em suma, pelo próprio livre-arbítrio, em seu verdadeiro sentido de condutor e libertador da nossa própria ignorância, o que nos torna, por ora, diante da Existência, ovelhas perdidas e desgarradas do aprisco do Pai, nesta belíssima metáfora de Jesus, que nos tornou parte da Criação Universal sob a Sua Égide. Então, veremos uma nova Renascença na Terra, desta feita, como resposta aos anseios de Espiritualidade dos Seres Humanos, erguidos à sua verdadeira Humanidade.

Silenciei, pois não havia mais nada a dizer.

(Sonia Theodoro da Silva)

(Diálogo virtual, com excertos das palavras de Léon Denis na obra O Espiritismo na Arte); Bibliografia: Madalena, A conversão do mundo, de José Herculano Pires.

PUBLICADO: Revista Internacional de Espiritismo, Ano 89, No.03, Abril 2004, Ano Comemorativo aos 200 Anos de Nascimento de ALLAN KARDEC.