FILOSOFIA ESPÍRITA, ENCANTAMENTO E CAMINHO

"JARDIN" - Claude Monet

BEM-VINDO (A) !
Síntese da nobre caminhada do ser humano em busca de sua natureza real, sua Ciência é o instrumento eficaz que estimula o Espírito à sua auto-descoberta; sua Filosofia o conduz à reflexão profunda; sua Religião em Espírito e Verdade revela-lhe a natureza divina de co-criador e partícipe do Universo.

Quando assim compreendida, permeia visões de Vida, amplia horizontes, eleva sentimentos, faz fluir, como as ondas suaves de um rio, as virtudes latentes e desconhecidas de seu mundo interior...


Por sua vez, a Música, como parte da Arte que reflete a busca pela própria transcendência balsamiza, inspira, eleva, encaminha à serenidade, à reflexão...


Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001) - CONSULTE O RODAPÉ DESTE BLOG:

“Seria fazer uma ideia bem falsa do Espiritismo acreditar que a sua força decorre da prática das manifestações materiais (...). Sua força está na sua Filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom-senso.” (Concl.VI - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec)."O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: o das manifestações, o dos princípios de Filosofia e Moral que delas decorrem e o das aplicações desses princípios.” (Concl. VII - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec).


O Título ©Projeto

Estudos Filosóficos Espíritas foi cuidadosamente refletido, tendo em vista que: 1) Deve refletir a natureza da obra espírita, eminentemente filosófica; 2) Deve refletir a natureza do curso; 3) Estudos Filosóficos é também o nome da vasta obra filosófico-espírita de Bezerra de Menezes, e constante da Bibliografia de apoio do deste projeto, com o qual pretende-se homenagear, reverenciando-lhe o trabalho ainda intenso de sustentação a causa espírita no Brasil, nas dimensões espirituais, juntamente com Espíritos da estirpe de Léon Denis, hoje liderando a Falange da Latinidade que igualmente traça diretrizes para a disseminação das ideias espíritas à humanidade;

4) Iluminando o Evangelho de Jesus com as luzes do Conhecimento Espírita, passaremos a trazê-lO ao coração, ao pensamento, à razão, aos atos, às atitudes, vivenciando com pleno saber e plena aceitação os seus ensinos.

Tal é a finalidade do Espiritismo – formar caracteres com vistas ao mundo de Regeneração (vide KARDEC, Allan, Obras Póstumas, “As Aristocracias”, div.ed.), conforme predito nas palavras de Jesus (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.VI, O Consolador, div.ed.), corroboradas pela Codificação Espírita.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

HOMOSSEXUALISMO - REFLEXÕES COM BASE NA FILOSOFIA ESPÍRITA




“Vós que sois sábios e cheios de alta e profunda ciências

Que concebeis e sabeis

Como, quando e onde tudo se une

... Vós, grandes sábios, dizei-me de que se trata

Descobri vós o que será de mim

Descobri como, quando e onde,

Por que semelhante coisa me ocorreu?”

                                  (citação de Michel Foucault, em História da Sexualidade)     

Para que possamos compreender os fenômenos da vida humana, Espíritos de superior evolução intelecto-moral estiveram presentes na Falange do Espírito da Verdade (Jesus de Nazaré) com a finalidade de orientar a humanidade. Isso é fato.

Por sua vez, os princípios por eles elaborados e que constituem a síntese do conhecimento: Deus, Espírito e Matéria, trazem de forma didática (trabalho este desenvolvido por Allan Kardec, pedagogo) os indicativos necessários para a condução de nosso pensamento em direção ao entendimento do processo dialético corpo-Espírito, e que envolve, por exemplo, a encarnação.

Encarnação como princípio, reencarnação como processo - em O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, sob o título Mundo Espírita ou dos Espíritos, capítulo IV- Pluralidade das Existências, questões 200 a 202, os Espíritos orientadores disseram a Kardec que a definição sexual (feminino-masculino) depende da constituição orgânica. Os mesmos Espíritos animam corpos de homens e mulheres, dependendo das provas que eles (Espíritos) tem que sofrer. Acrescenta Allan Kardec: “Os Espíritos encarnam-se (princípio) homens ou mulheres, porque não tem sexo (constituição orgânica). Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, saberia apenas o que sabem os homens.

São meus os destaques em negrito.

Consequentemente, entendemos que as experiências necessárias à evolução de um Espírito devem ocorrer efetivamente nas duas polaridades, masculina e feminina, distintas entre si, e perfeitamente harmônicas em cada uma.   

No capítulo IX, Terceiro Livro, Lei de Igualdade, questão 822-a (tradução de José Herculano Pires), os Espíritos acrescentam: “Os sexos só existem na organização física, pois os Espíritos podem tomar um e outro, não havendo diferenças entre eles a esse respeito.”

Os Espíritos, portanto, no processo da reencarnação como lei biológica, reencarnam em corpos biológicos adequados à necessidade evolutiva de cada ser. Se hoje um indivíduo reencarna numa constituição fisiológica masculina, ele trará consigo todos os impulsos inerentes à essa característica. Impulsos esses que trazem carga erótica condizente à perpetuação da espécie, e que por instinto o faz procurar o seu oposto, o feminino. O mesmo se dá com o indivíduo que renasce num corpo biológico feminino. O amor entre os seres humaniza e une as duas polaridades distintas, na troca constante de afeto e realização mútuas.

Masculino e feminino com características, pendores, componentes psicológicos diferentes. No livro “Sexo-Problemas e Soluções”, de Emídio e Marislei Brasileiro encontramos uma definição acerca das diferenças entre sexualidade masculina e sexualidade feminina concorde com o Espiritismo: “As múltiplas reencarnações, em diversos corpos de constituição física masculina e feminina, possibilitam ao Espírito a aquisição de valores apropriados às diferentes faixas evolutivas de cada planeta e a assimilação, psicossomática respectiva, determinando o aprimoramento da condição criativa do ser.(...)  A sexualidade manifesta-se sob três aspectos distintos: no da reprodução, no psicológico das vivências de vidas passadas e no aspecto geral da capacidade espiritual de criar, de produzir e de evoluir, através de conquistas morais e intelectuais, que se processam nos planos da vida física e da vida espiritual.”     

No Terceiro Livro, de O Livro dos Espíritos, capítulo V, Lei de Conservação, questões 702 e 703, os Espíritos esclarecem que todos os seres vivos possuem  o instinto  de conservação, qualquer que seja o seu grau de inteligência, e no caso dos seres humanos, ele é racional, Deus deu a esses, a necessidade de viver, pois “a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres: eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.”  

Ainda no mesmo Terceiro Livro, capítulo X, Lei de Liberdade, os Espíritos ensinam que (questão 826), desde que haja dois indivíduos distintos, “há direitos a respeitar e não terão eles, portanto, liberdade absoluta.” Por outro lado, os indivíduos possuem “a compreensão da lei natural, mas contrabalançada pelo orgulho e o egoísmo. Sabem o que devem fazer mas não o fazem, quando transformam os seus princípios numa comédia bem calculada.”

Allan Kardec então pergunta (questão 828-a): “Os princípios (leia-se aqui sistemas, hábitos, costumes, vivências e não princípios filosóficos) que professaram nesta vida lhes serão levados em conta na outra? Quanto mais inteligência tenha o homem  para compreender um princípio (filosófico), menos escusável será o de não aplicar a si mesmo. (...)”   

Na questão 845, da mesma Lei de Liberdade, os Espíritos esclarecem que “as  predisposições instintivas que o homem traz ao nascer são as do Espírito antes da reencarnação, conforme for ele mais ou menos adiantado, elas podem impeli-lo a atos repreensíveis, no que ele será secundado por Espíritos que simpatizem com essas disposições; mas não há arrastamento irresistível, quando se tem a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder (veja-se questão 361)”.

Na questão 361 recomendada por Allan Kardec, temos a seguinte pergunta e consequente resposta: “De onde vem para o homem as suas qualidades morais, boas ou más? São as do Espírito que está nele encarnado; quanto mais puro é esse Espírito, mais o homem é propenso ao bem.”       

Os destaques em negrito são de minha autoria.

Voltemos à Lei de Liberdade, questão 846, quando Allan Kardec questiona os Espíritos sobre se o organismo (físico) não influi nos atos da vida, e se influi se seria a prejuízo do livre-arbítrio, ao que os Espíritos respondem: “O Espírito é certamente influenciado pela matéria, que pode entravar as suas manifestações. (...) mas o corpo não dá faculdades ao Espírito. De resto, é necessário distinguir neste caso as faculdades morais das faculdades intelectuais. (...) Aquele que aniquila o seu pensamento para se ocupar apenas da matéria faz-se semelhante ao bruto, e ainda pior, porque não pensa mais em se premunir contra o mal. É nisso que ele se torna faltoso, pois assim age pela própria vontade (Ver item 367 e seguintes, Influência do organismo.)”

As questões citadas certamente poderão ser consultadas, e devem, na verdade ser estudadas profundamente com isenção de ânimo.

Acrescentamos a questão 851, referente à fatalidade nos acontecimentos da vida humana, ao que os Espíritos respondem: “A fatalidade não existe senão para a escolha feita para o Espírito ao encarnar-se (...) ao escolhê-la, ele traça para si mesmo  uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra. (...) O Espírito, no tocante às provas morais e tentações, conservando o seu livre-arbítrio, sobre o bem e o mal, é sempre senhor de ceder ou resistir.”    

Em o livro A Gênese – Os milagres e as predições segundo o Espiritismo, em seu capítulo 18, Sinais dos tempos, item 8, o Espírito Arago diz: “Quando se diz que a humanidade chegou a um período de transformação, e que a Terra deve se elevar na hierarquia dos mundos, não vede nestas palavras nada de místico, mas, ao contrário, o cumprimento de uma das grandes leis fatais do Universo, contra as quais se quebra a má vontade humana.”

No item 14, Kardec acrescenta: “(...) É a um desses períodos de transformação, ou se quisermos, de crescimento moral, que chegou a humanidade.”

Em seu item 19, o livro A Gênese destaca: “Unicamente o progresso moral pode assegurar a felicidade dos homens sobre a Terra pondo um freio às más paixões; unicamente ele pode fazer reinar entre os homens a concórdia, a paz e a fraternidade.”

Acrescente-se trecho do item 24: “Pela sua potência moralizadora, por suas tendências progressivas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abraça, o Espiritismo, mais que qualquer outra doutrina, está apto a secundar o movimento regenerador; por isso mesmo são contemporâneos.”

Para se compreender os fenômenos humanos, como o homossexualismo, o transexualismo, o hermafroditismo, e outros  ligados à sexualidade e às manifestações da libido, há necessidade de se admitir plenamente a encarnação como princípio e a reencarnação como processo inerente à evolução humana, admitindo, contudo, que o Ser é dotado de livre-arbítrio, portanto, herdeiro de suas próprias experiências na matéria.

Para tanto, um rápido vislumbre nas culturas e nos hábitos das populações da Antiguidade, com destaque Grécia e Roma, desvenda as  vivências homo e bissexuais ao longo do tempo como parte do processo de iniciação de crianças e jovens à idade adulta. Como exemplo, os espartanos comungavam do leito conjugal com seus companheiros de batalha em campanhas militares  de longo percurso.

A história humana – seja no campo dos hábitos adquiridos ou até em sacrifícios religiosos – é fonte de vasta pesquisa para o entendimento dos fenômenos de ordem sexual.

Essa herança permanece em nosso inconsciente individual e coletivo, necessitando de entendimento para o necessário reajuste.

De forma oposta, o que vemos hoje divulgado e incentivado pela mídia, que, secundada por políticas de governos interessados no domínio das massas, a criação de um suposto terceiro gênero, como se fosse possível alterar fisiologias ao bel-prazer de poderes espúrios e de empresas que igualmente disputam audiência.

Apoiadas no suposto “preconceito” – que realmente existe, pois fruto da ausência de políticas educativas, mas que é por elas abordado de forma distorcida -, incentivam as massas, que buscam freneticamente novidades no mercado das aparências.

Programas de auditório, com público hipnotizado pelos holofotes de grandes e poderosas redes de televisão, no afã de aparecerem por segundos nas telas de TV nacionais e internacionais, aplaudem com entusiasmo todo aquele que se propõe a “viver, sim - e porque não? -  a sua homossexualidade latente”.

Filmes pornográficos travestidos de luxo e prazer, lojas especializadas em instrumentos para o aumento da libido,  no mercado do “tudo vale para a satisfação” momentânea, efêmera e vazia.

O conhecimento da energia sexual permanece obscuro para a grande maioria, mantendo o ser humano escravo de seus impulsos, destinados ao desenvolvimento afetivo e à perpetuação da espécie.

Com este artigo fechamos questão sobre o tema? Evidente que não. Porém, deixamos claro que o homossexualismo e as demais questões que envolvam a sexualidade humana devem ser abordados com isenção de ânimos, e sob o ponto de vista estritamente filosófico-espírita, se quisermos realmente compreender a amplitude do problema.

Um seminário, uma mesa-redonda ou qualquer abordagem pública desse tipo deve ser feita de forma multidisciplinar, com profissionais de saúde idôneos e engajados com o Espiritismo, acrescidos de abordagem histórica, filosófica, sociológica e ético-moral.

Não compreenderemos os fenômenos humanos se não nos despirmos de ideias preconcebidas, protecionistas e alienantes.

O homossexualismo é um hábito humano milenar e portanto, requer de quem analisa e pondera, maturidade emocional, maturidade existencial, conhecimento e profundo engajamento à causa espírita como já dissemos.

Sem isso a casa espírita estará sujeita às tempestades emocionais de quem vive o problema em seu próprio lar e os traz para dentro dos Centros, sujeito que pode estar às opiniões dissonantes de uma mídia que nada faz a não ser aproveitar-se do sofrimento humano que não compreende, contudo, oferece “soluções” compatíveis aos seus próprios interesses imediatistas e mesquinhos.

Ainda em O Livro dos Espíritos, questão 625, os Espíritos nos oferecem um modelo conducente às nossas atitudes e ações: JESUS, que é a harmonia das polaridades por excelência.

Manifestou-se pessoalmente encarnando-se, pelos meios naturais,  num corpo fisiológico masculino, porque patriarcal era o seu tempo. Porém, manifesta o seu imenso Amor pela Humanidade, consequência natural de um Ser pleno, ao respeitar a mulher, educando-a para o amor legítimo e respeitoso, e ao respeitar o homem,  educando-o para o respeito a si mesmo e à mulher. Enalteceu os laços familiares, e legou-nos o seu Evangelho de Luz como norma de conduta, enquanto aguardávamos a vinda do Consolador, que nos despertaria para a Verdade.

E é justamente em O Evangelho Segundo o Espiritismo que encontramos a orientação para as nossas vidas: O Homem de Bem.

AUTORIA: Sonia Theodoro da Silva, filósofa.

SUGESTÕES DE ESTUDO E LEITURA:

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

A GÊNESE – Os milagres e as predições Segundo o Espiritismo

(Todos de Allan Kardec)

SEXO – PROBLEMAS E SOLUÇÕES, Emídio e Marislei Brasileiro

PESQUISA SOBRE O AMOR, José Herculano Pires.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

INSCRIÇÕES ABERTAS!!!

Acrópole - Atenas, Grécia (Fonte: Internet)


INSCRIÇÕES ENCERRADAS - FIQUE ATENTO!
NOVAS INSCRIÇÕES ESTARÃO ABERTAS EM NOVEMBRO DE 2017 - VENHA ESTUDAR CONOSCO !! 

OLÁ,
AGORA VOCÊ TAMBÉM PODE FAZER A SUA INSCRIÇÃO PARA OS GRUPOS DE ESTUDOS AVANÇADOS ESPÍRITAS DIRETAMENTE COM O CEFE-CENTRO DE ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS, VEJA COMO PROCEDER:

1) GRUPO DE ESTUDOS AVANÇADOS ESPÍRITAS EM FILOSOFIA ESPÍRITA
     5AS. FEIRAS DAS 19H00 ÀS 21H00

2) GRUPO DE ESTUDOS AVANÇADOS ESPÍRITAS VER-VISÃO ESPÍRITA DA RELIGIOSIDADE
     SÁBADOS DAS 16H00 ÀS 18H00

ACESSE OS PROGRAMAS ATRAVÉS DO PORTAL DE ESTUDOS www.filosofiaespirita.org

LOCAL: Rua Duarte de Azevedo, 691 - acesso pelo metro Santana

INSCRIÇÕES: cefeorg@gmail.com


APOIO: Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz

DIVULGAÇÃO DOS TRABALHOS DO CEFE : Conselho Espírita Francês (França), SPS (Inglaterra)

ACESSE O PROGRAMA FILOSOFANDO: www.tvmundomaior.com.br/programacao/filosofando

VENHA ESTUDAR E COMPARTILHAR SEUS CONHECIMENTOS COM NOSSA EQUIPE  DE EXPOSITORES ABALIZADOS !!

AULAS ESPECIAIS TEMÁTICAS AOS SÁBADOS NO HORÁRIO DO VER

CAFÉS FILOSÓFICO-ESPÍRITAS (ACESSE PELO PORTAL www.filosofiaespirita.org 
           

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

PURISMO DOUTRINÁRIO – O QUE É


Sonia Theodoro da Silva - Filósofa
www.filosofiaespirita.org
Há tempos estamos ouvindo e assistindo alegações no sentido de que o Espiritismo é doutrina atualizável, que os conceitos filosóficos espíritas mudam conforme o tempo passa, que a mediunidade está “progredindo” pois traz testemunhos contundentes de Espíritos sobre o “outro lado da vida”;  que é vedado e interdito criticar qualquer livro ou psicografia ou comunicações de qualquer espécie pois isto seria “falta de caridade”, “falta de atualização”, afinal, o Espiritismo é progressista  e quem quer que ousasse fazer críticas estaria “sob a injunção de Espíritos obsessores”.
E o mercado livreiro dito “espírita” continua a desovar livros de qualidade duvidosa e inferior, quando não pretensiosos, ocupando as prateleiras de centenas de feiras, exposições e livrarias físicas e virtuais, ocupando ainda os espaços da internet com mensagens proféticas de “juízo final”, e outras que seguem um estilo profético, como se estivéssemos de volta ao Horizonte Oracular (expressão cunhada por J. Herculano Pires em O Espírito e o Tempo). Algumas afirmações ainda finalizam com a recomendação de que não nos devemos preocupar pois “Jesus está no leme deste barco” (donde se deduz  que nada precisamos fazer, a não ser trancarmo-nos em nossas residências e deixar que a tempestade passe), e assim vai.  

Através desse pequeno exemplo, parece-nos que há uma ausência de senso crítico com base no estudo metódico e aprofundado do Espiritismo, a ponto de haver opções por opiniões, teorias filosóficas que contradizem o próprio O Livro dos Espíritos, fantasias, apelos míticos e místicos, mas além de tudo, a adesão à crença cega em qualquer comunicação advinda dos planos de vida desencarnados, como se a morte física conferisse sabedoria às falas de pseudo orientadores da humanidade nesta atual difícil, trágica e melancólica travessia de um plano de expiações e provas para uma provável próxima regeneração  moral e intelectual. Quando não, a verdadeira adoração aos “ídolos” do Espiritismo, personificados nos médiuns que tudo sabem, menos orientar-se devidamente e equilibrar-se em sua mediunidade pois revelam-se carentes de conhecimentos e de espírito de abnegação à tarefa, num flagrante desrespeito, indiferença, desamor à causa que juraram seguir, proteger e divulgar a benefício dos menos favorecidos que seriam milhões neste momento dramático da evolução do planeta.
Em sua grande maioria estão falindo, pois, ao invés, denigrem a Doutrina de Luz, a Filosofia dos Espíritos, a Ciência do Espírito, a Moral de Jesus, e seus seguidores e abnegados administradores do Bem sobre a Terra.

Alguém poderia dizer que não passa de opinião pessoal! Tem todo o direito... porém, vamos partir para algumas análises para reforçar a nossa “opinião” – no mais, convidamos a todos que estudem, pesquisem, conectem seus pensamentos com os dos Espíritos Superiores, trata-se de esforço próprio, pois ninguém o fará por nós.
A expressão pureza doutrinária começou a ser desenvolvida nos primórdios do Espiritismo no Brasil, quando a antiga FEB sob a presidência de Bezerra de Menezes enfrentava o duelo entre religiosistas e cientificistas, cada qual “defendendo” as suas ideias em detrimento do que ensinavam os Espíritos na Codificação. De lá para cá, as divisões de um movimento que diz representar o Espiritismo através de suas centenas de instituições, porém cada qual defendendo ideias pessoais de seus dirigentes acabaram por institucionalizar o Espiritismo, como se ele fosse “institucionalizável”, ou seja, subordinaram os princípios eternos e imutáveis de Leis Divinas à direção e opinião de seus ditos representantes, cada qual fazendo o que lhe apraz onde quer que estejam localizados.

Quando Allan Kardec em Obras Póstumas promove a criação de núcleos de estudo e pesquisa, ele está dizendo núcleos de estudo e pesquisa e não instituições representativas.
A expressão “pureza doutrinária” voltou à baila com as afirmações do dr. Ary Lex, num livro de mesmo nome, onde o autor postulava que deveríamos tomar o maior cuidado com as novidades surgidas à época (décadas de 70 e 80 do século passado) e que representavam doutrinas espiritualistas: umbanda, cromoterapia, cura por cristais, leitura de runas, cartas, cirurgias espirituais, etc., etc., etc. , além de destacar alguns erros cometidos pelo Espírito André Luiz em alguns de seus livros, corrigindo-os, não somente sob o ponto de vista doutrinário mas também científico. Os seus cuidados geraram pronunciamentos do Espírito Emmanuel, dizendo que se em algum momento ele próprio, Emmanuel, errasse em alguma afirmação, que os espíritas ficassem com o Espiritismo e com Allan Kardec e não com ele.

Ary Lex em alguns momentos tornou-se intransigente defensor do Espiritismo em detrimento de pessoas, instituições e Espíritos, o que atraiu desafetos e inimigos de seu pensamento e até de sua pessoa.
Lembro-me de uma afirmação que fiz a ele diretamente, sobre o que, em minha modesta opinião tratava-se de intransigência exagerada, eu mesma atuava numa instituição que ele presidia; ele nada disse. Tempos depois, após muitas observações corrigi-me e voltei a encontrá-lo num evento espírita: ele sorriu-me e disse: “agora a irmã me compreende?”, referindo-se a muitos senões que estavam ocorrendo naquele momento, tal como agora (mas não com tanta intensidade), e diante de minha aquiescência, sorriu e disse: “que a irmã possa tornar-se ardente defensora da doutrina dos Espíritos, pois isto é apenas o começo”.  

O tempo tratou de mostrar que a imaturidade do senso moral, o orgulho, a vaidade humanas abririam um vácuo enorme entre os ensinamentos dos Espíritos Superiores e  seus pretensos divulgadores.
José Herculano Pires, outro ardente defensor do Espiritismo lutou intensa e bravamente contra as alterações no Evangelho Segundo o Espiritismo que uma grande instituição de São Paulo promovera, publicando  centenas de livros numa 1ª. edição afirmando que, assim, tornava o evangelho de Jesus mais “palatável” à leitura dos mais humildes.

Sem contar com as afirmações de Espíritos encarnados e desencarnados  provenientes do antigo e provecto docetismo, afirmando peremptoriamente que Jesus tinha corpo fluídico, em uma série de 4 livros, leitura obrigatória numa instituição que até hoje se intitula orgulhosamente casa máter do Espiritismo.
Os livros dos autores citados são “Pureza Doutrinária”, “Na hora do testemunho” e “A Pedra e o Joio”. As biografias de Bezerra de Menezes relatam o seu imenso esforço para amenizar as lutas entre os litigantes do Espiritismo em sua época...

Como dissemos, a teoria docetista ainda prevalece naquela instituição. Os livros alterados inadvertidamente pela instituição em São Paulo acabaram por ser recolhidos, embora alguns já tivessem feito seus estragos, e J.Herculano Pires foi banido e proibido de lá frequentar.
Alguém poderia dizer: mas isto ficou no passado!

Sim, o tempo passou mas novos problemas surgem no caminho do Espiritismo, impedindo-o de crescer e consolar e esclarecer os milhões de almas hoje caídas em desespero e desequilíbrio.
Enquanto o ser humano não combater o orgulho e sua filha predileta, a vaidade, e o egoísmo, que gerou um filho degenerado, o individualismo feroz, o Espiritismo continuará a ser agredido, ridicularizado, alterado sem as mínimas considerações éticas, desapropriado em sua autenticidade e legitimidade e abrigará a contragosto ideias esdrúxulas advindas da pura ausência de respeito ao trabalho dos Espíritos Superiores e a Allan Kardec, além de, o mais grave, perder-se a oportunidade de elucidar e aclarar os grandes problemas humanos.

Purismo? Não creio. No entanto, vejamos o conceito de purista, que pode ser checado em qualquer bom dicionário: “Sujeito que se opõe às mudanças; que não aceita modificações de normas, padrões;  Exemplos :  Chamado de "Deus" pelos fãs, Clapton aborda sua formação musical, que tem como base a música negra norte-americana, particularmente o blues - o que o levou a buscar uma direção purista dentro desse gênero nos primeiros anos de carreira. (Folha de São Paulo, 22/02/2010)
Os próprios donos do local não fazem questão de manter segredo a respeito de sua crença --mas alegam que são diferentes da corrente "purista" do Criacionismo, porque o zoológico explica a vida a partir de "ambos, Deus e a evolução". (Folha de São Paulo, 27/08/2009) (Consulta em 18/08/2015 http://www.dicio.com.br/purista/ )

“Na arte, o purismo foi um movimento que defendia uma pintura sem valores emocionais, racional e rigorosa. Sem subjetividade e qualidades decorativas” (...) “O purismo também pode ser uma orientação teórica, que objetiva a compreensão de um fenômeno defendendo estritamente a pureza de uma tradição ou ortodoxia. Caracteriza-se pela rejeição sistemática de qualquer possibilidade ou proposta de alteração em uma doutrina ou ortodoxia.” (pesquisa feita em 18/08/2015 https://pt.wikipedia.org/wiki/Purismo )   
Pelas definições acima podemos verificar que a defesa da Verdade Espírita não se enquadra nessas definições. Vejamos os dicionários filosóficos (o Espiritismo é fundamentalmente Filosofia): o adepto da “pureza doutrinária” seria “purista”: “grupo ou partido que, no seio da Igreja da Inglaterra, quis, do interior, e a partir dos anos 1560, levar a reforma dessa igreja até o modelo das igrejas calvinistas do continente europeu, etc., etc. “ (...) O purismo leva à doutrina puritanista, “uma forma de calvinismo.” (Dicionário de Ética e Filosofia Moral, Editora Unisinos, 2ª. ed., 2013, pg. 861);  Puro: termo muito usado em Filosofia (...), que não contém em si nada de estranho, exemplo, corpo quimicamente puro, cultura pura, define do mesmo modo a pureza do prazer ou da dor das quais faz um dos pontos a considerar no seu cálculo utilitário; chama-se puro a todo conhecimento que não está misturado com nada de estranho – mas diz-se que um conhecimento é puro quando nele não se mistura nenhuma experiência ou sensação e, por consequência ele é possível, inteiramente, a priori (Kant).” (Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia, Lallande, ed. Martins Fontes, 3ª. ed., 1999, pg 893).

Neste mesmo último Dicionário, encontramos a definição de Radicalismo filosófico : há referências ao radicalismo político, econômico e filosófico de Bentham e Mill; com pontos fundamentais em liberalismo total, econômico, comercial, industrial, superioridade do governo representativo, etc., etc.
O Dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano praticamente repete Lallande com outras palavras.

O Dicionário de Filosofia Espírita, resultado de intensa e memorável pesquisa de L.Palhano Jr, (Ed. CELD), diz : Pureza: “inocência, singeleza, sinceridade, perfeição de caráter (...)”, o autor refere-se igualmente aos Espíritos Puros  como já desprovidos das influências materiais, segundo Allan Kardec.
Poderíamos discutir cada definição dessas acima num confronto direto com a chamada “pureza doutrinária”, mas preferimos deixar esse esforço aos nossos nobres leitores.

Com todo esse material poderíamos concluir que o sentido do conceito estabelecido por Lex e Herculano nos levam a entender que eles queriam (e querem) que os espíritas não usem o Espiritismo como instrumento especulativo de suas próprias ideias e concepções. E mais, como degrau ascensional de suas vaidades e individualismos. E isto também serve para os desencarnados. Porque?
Simplesmente porque os princípios espíritas, eternos, imutáveis, cósmicos e universais, Deus, Espírito e Matéria, desenvolvidos em estudos profundos por Allan Kardec e os Espíritos Superiores são alimento para a alma, hoje andando sobre as brasas da violência, da corrupção, das enfermidades, do ódio e da discórdia; os Espíritos Superiores certamente desejam que as novas gerações que aqui chegam diariamente através da reencarnação, encontrem um ambiente psíquico saudável e salutar para o seu desenvolvimento e para a contínua renovação do planeta.

O mal está em acreditar que a Doutrina de Luz é mutável como nós somos, incoerentes como é a raça humana, dúbia como o pensamento humano, relativa e inconstante como todos nós fomos e continuamos a ser, com as sempre louváveis exceções.
E, finalmente, como o Espiritismo “evolui”?  Sua ciência, que revelou a vida em outras dimensões com coerência metodológica, se aproximará cada vez mais dos cientistas encarnados, estimulando-os às descobertas necessárias dessa Vida vibrante em outras dimensões aos quais pertencemos e para onde voltaremos, melhorando com isso a vida no planeta.  

Quanto ao sentimento ético e moral, só tende a desenvolver-se, à medida em que respeitarmos a vida sob todas as formas em que ela se manifeste.
Sua Filosofia, centrada em seus princípios eternos e imutáveis, tornar-se-á cada vez mais clara à proporção em que evoluirmos.

Donde concluirmos que o que precisa de evolução é a alma humana, que, trabalhando as suas convicções e abrindo mão de suas crenças antiquadas poderá alcançar o sentido do Espiritismo em sua vida e na vida do planeta, desta forma, entendendo que a Doutrina poderá alicerçar essa caminhada, como a mais pura bênção aos corações fatigados e às mentes exauridas, mas plenos de esperança, do verbo esperançar.  
Leituras sugeridas (além das já citadas no texto):

Instruções de Allan Kardec ao Movimento Espírita – Allan Kardec (coletânea de artigos)
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. Os Falsos Cristos e Falsos Profetas

O Livro dos Médiuns, Allan Kardec
O Verbo e a Carne, José Herculano Pires

Sol nas Almas, Espírito André Luiz, Cap. 29, A Defesa da Verdade
A Esquina de Pedra, Wallace L. Rodrigues (relatos sobre a fase de deturpação dos ensinos de Jesus)

Recordações da Mediunidade - Yvonne do Amaral Pereira
Quando Jesus se tornou Deus – Richard E. Rubenstein