FILOSOFIA ESPÍRITA, ENCANTAMENTO E CAMINHO

"JARDIN" - Claude Monet

BEM-VINDO (A) !
Síntese da nobre caminhada do ser humano em busca de sua natureza real, sua Ciência é o instrumento eficaz que estimula o Espírito à sua auto-descoberta; sua Filosofia o conduz à reflexão profunda; sua Religião em Espírito e Verdade revela-lhe a natureza divina de co-criador e partícipe do Universo.

Quando assim compreendida, permeia visões de Vida, amplia horizontes, eleva sentimentos, faz fluir, como as ondas suaves de um rio, as virtudes latentes e desconhecidas de seu mundo interior...


Por sua vez, a Música, como parte da Arte que reflete a busca pela própria transcendência balsamiza, inspira, eleva, encaminha à serenidade, à reflexão...


Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001) - CONSULTE O RODAPÉ DESTE BLOG:

“Seria fazer uma ideia bem falsa do Espiritismo acreditar que a sua força decorre da prática das manifestações materiais (...). Sua força está na sua Filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom-senso.” (Concl.VI - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec)."O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: o das manifestações, o dos princípios de Filosofia e Moral que delas decorrem e o das aplicações desses princípios.” (Concl. VII - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec).


O Título ©Projeto

Estudos Filosóficos Espíritas foi cuidadosamente refletido, tendo em vista que: 1) Deve refletir a natureza da obra espírita, eminentemente filosófica; 2) Deve refletir a natureza do curso; 3) Estudos Filosóficos é também o nome da vasta obra filosófico-espírita de Bezerra de Menezes, e constante da Bibliografia de apoio do deste projeto, com o qual pretende-se homenagear, reverenciando-lhe o trabalho ainda intenso de sustentação a causa espírita no Brasil, nas dimensões espirituais, juntamente com Espíritos da estirpe de Léon Denis, hoje liderando a Falange da Latinidade que igualmente traça diretrizes para a disseminação das ideias espíritas à humanidade;

4) Iluminando o Evangelho de Jesus com as luzes do Conhecimento Espírita, passaremos a trazê-lO ao coração, ao pensamento, à razão, aos atos, às atitudes, vivenciando com pleno saber e plena aceitação os seus ensinos.

Tal é a finalidade do Espiritismo – formar caracteres com vistas ao mundo de Regeneração (vide KARDEC, Allan, Obras Póstumas, “As Aristocracias”, div.ed.), conforme predito nas palavras de Jesus (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.VI, O Consolador, div.ed.), corroboradas pela Codificação Espírita.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL!!!






ELE NASCEU...!!!
NUMA SIMPLES MANJEDOURA EM MEIO AO FRIO E AO DESCONFORTO, ENTRE ESTRANHOS, NUMA NOITE ESCURA E SOLITÁRIA...
JESUS, AMADO MESTRE, O SEU CORAÇÃO AMIGO EDUCA-NOS COM OS MAIS PROFUNDOS E SIMPLES ENSINAMENTOS... OS DRAMAS AS TRAGÉDIAS, AS DORES, OS SOFRIMENTOS SE TRANSFORMAM EM DEGRAUS DE LUZ A  CONDUZIR-NOS EM DIREÇÃO AO SEU OLHAR DE PAZ, AOS SEUS BRAÇOS ACOLHEDORES ...

SEJA BEM VINDO, JESUS, QUE AS SUAS LUZES ILUMINEM ESTE PLANETA DE DESAFIOS CONSTANTES - QUE A SUA PRESENÇA ILUMINE OS CORAÇÕES DESEJOSOS DO BEM, PERMANEÇA CONOSCO, MESTRE AMADO !

Soberano Singular
Durante milênios Ele foi aguardado. Falava-se de um soberano
poderoso, governador das estrelas. Um Ser, cujo poder abalaria o
mundo.
Os homens O idealizaram coberto de riquezas, rodeado de servos.
Imaginaram que Seu nascimento seria noticiado a todos os poderosos da Terra.
Que haveria sons de trombetas e anúncios bombásticos.
Então, Ele chegou.
Aguardou um dia em que a cidade regurgitava de estrangeiros e
todas as mentes estavam voltadas para as questões das suas próprias existências.
Buscou um lugar mais afastado, longe do burburinho das gentes. Um estábulo.
Entre o feno foi-Lhe preparado um improvisado berço. E Ele veio à
luz, tendo como testemunhas silenciosas um boi e um burrico.
Animais que simbolizam o trabalho e a submissão.
Escolheu por pai um carpinteiro, um homem de índole pacífica e rija têmpera. Por mãe, uma jovem mulher, portadora de peregrinas virtudes e invulgar sabedoria.
Como arautos de Sua chegada teve um coro de vozes celestiais
segredando a almas simples, no campo, as notícias alvissareiras:
chegara o Rei.
E os pastores, deixando suas ovelhas, foram procurar o menino envolto em panos, conforme lhes falara o celeste mensageiro.
Um nascimento na noite/madrugada. Um menino que dividiria a História da Humanidade, que conquistaria o reino mais difícil de ser encontrado: o coração da criatura humana.
Na fragilidade em que Se exilou, de forma temporária, pacientemente  aguardou que o tempo Lhe fosse propício à semeadura para a qual viera.
Quando o tempo se fez, deixou o lar paterno e foi amealhar Seus
seguidores. A nenhum prometeu valores amoedados ou projeção pessoal.
Ao contrário, falou de abnegação, de perseverança e dedicação.
Alertou que nada deviam esperar do mundo porque Ele próprio não era  detentor de uma pedra sequer para repousar Sua cabeça.
Alertou do trabalho incansável a que Ele Se devotava, da mesma forma que o Pai que está nos Céus.
Disse das aflições e das perseguições que padeceriam, simplesmente por segui-lO e divulgar a Sua mensagem.
Veio para servir, jamais desejando para Si qualquer honraria ou
deferência.
Encontrou o coração dilacerado de uma mãe viúva, conduzindo o
corpo do filho ao túmulo e o restituiu ao materno carinho.
Estendeu convite a um jovem rico de ambições, a uma mulher
equivocada, a um cobrador de impostos, a uma vendedora de ilusões.
Consolou os aflitos corações das mulheres que por Ele derramavam
lágrimas, no caminho do Calvário.
Entregou-Se em sacrifício, sem nenhuma nota dissonante, e dignificou a morte, aceitando-a em preces ao Pai.
Na data em que Seu nascimento é lembrado, entre cânticos de ventura e mimosas trocas de presentes, nossos corações se erguem, em preces, louvando-Lhe a Celeste presença.
E, com sempre inusitada alegria, reunimos a família em torno da
mesa, visitamos os amigos, abraçamos os colegas.
Tudo em nome e em homenagem a um menino, Celeste Menino, vindo das estrelas ao nosso ainda pobre e sofrido planeta de provas e expiações.
Rei solar. Rei dos céus. Pastor das almas. Mestre e Senhor. Nosso
Senhor Jesus.
(texto de autoria desconhecida, caso o autor o visualize, informe-nos seu nome para os devidos créditos)

SONIA THEODORO DA SILVA
WWW.FILOSOFIAESPIRITA.ORG


 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A DIALÉTICA DO SUICÍDIO (AS DORES DE PARIS E DO BRASIL)


 
 
Há momentos em que palavras e gestos não conseguem exprimir os sentimentos que envolvem os corações humanos diante da tragédia, seja ela pessoal ou coletiva. Tragédias essas onde apenas as justificativas simplistas não alimentam a necessidade que temos de uma explicação madura e condizente ao progresso intelecto-moral já alcançado.

Refiro-me a justificativas tais como: “é a transição”, é “a lei de causa e efeito”. Ou ainda, “nada devemos temer, pois Jesus está no leme deste barco navegante em mares tumultuosos”.

Essas “explicações” poderiam levar à uma acomodação de pensamentos e sentimentos, já que “nada podemos fazer” diante da lei de “causa e efeito” que atinge vítimas e algozes, e nos coloca “a salvo” de qualquer evento menos feliz. Mistura de carma indiano com lei de talião mosaica.

Por outro lado, as aflições que muitos hoje vivenciam fruto de desastres ecológicos principalmente no Brasil, oriundo da ganância de governos e empresas multinacionais, de assaltos com morte, principalmente nas grandes metrópoles, e por abandono e violência, está ceifando vidas que não suportam conviver sem seus amados, seus pertences, sem o trabalho que lhes garantia a dignidade de viver.

O suicídio foi institucionalizado por circunstâncias as mais diversas além das acima citadas, como a imolação da própria vida para o cumprimento da jihad islâmica e assim alcançar o paraíso distante do mundo ocidental perverso e corrupto; como único caminho para abolir o sofrimento diante da perda de entes queridos, de bens materiais que sustentavam a família, e ainda pelo fato de enfermar sem perspectivas de futuro, e, muitas e muitas vezes por tristeza, vazio existencial e estresse emocional. 

Como exemplos, o governo dos EUA enfrenta hoje uma epidemia de suicídio nas fileiras militares por parte de jovens traumatizados pelas guerras das quais participaram no Oriente Médio; o Japão enfrenta epidemia de suicídio de jovens que não conseguiram matrícula nas universidades mais conceituadas e partem para a alternativa cultural do autocídio como saída estratégica da vida e manutenção do orgulho pessoal e familiar.

E poderíamos elencar todas as causas possíveis para essa “alternativa” que milhões buscam hoje no mundo inteiro para não enfrentarem a dor e o sofrimento, o vazio existencial e a sensação de abandono.

O ser humano está em crise profunda. Não podemos achar que as Leis Divinas estejam por detrás dessa tragédia. Se Deus é misericordioso, as Suas Leis, que expressam o Seu pensamento, expandem o Seu amor por toda a humanidade nesse instante. As Leis Divinas são misericordiosas, nunca agem em desacordo com Deus, pois Ele as dirige e comanda, embora o homem seja o algoz do próprio homem, embora haja optado pela cruel lei de talião contra o próximo e contra si mesmo.

Então, porque tudo isto?  O que faz um jovem imolar-se tão cruelmente por um ideal utópico preconizado por argumentos rasteiros, como vemos hoje os jovens que se unem a grupos dotados de ódio profundo à civilização e tudo o que ela representa?

Qual a verdadeira causa dessa ausência de si mesmo? Não somos adeptos de explicações menores nem justificativas que nada explicam, senão ampliam o nosso estupor diante de tanta dor.

Sem dúvida que as verdadeiras causas, geradas ao longo de 6.000 anos de civilização, permanecem ocultas à curiosidade e julgamentos parciais e limitantes, porém, podemos visualizar a AUSÊNCIA DE AMOR como paradigma a ser superado. Amor ao próximo, amor à natureza, amor ao país que acolhe as comunidades dentro de suas fronteiras, amor ao ar e ao alimento que nutre a vida, amor à família que traz à reencarnação, amor ao trabalho – por mais humilde que seja – que faculta conforto, amor a tudo o que nos cerca, amor sem apego, amor sem exigência, sem satisfação e egolatria pessoal.

Respeito ao corpo que abriga a alma. Que fala com ela quando tem dor, quando tem fome e sede, quando precisa de higiene e cuidados, quando  encaminha a alma às experiências pessoais e à convivência com o outro.  

Corpo que resiste aos desvarios e erros de conduta, mas que vai se esfacelando diante dos abusos a que tenta desesperadamente resistir.    

Talvez o homem quisesse ser como Ícaro que voa em direção à luz que tanto almeja mas quanto mais se aproxima, ela, a falsa luz das utopias terrestres derrete as frágeis asas e o projeta no vácuo e na escuridão.

Pensadores e filósofos somatizaram seus próprios problemas existenciais e criaram as filosofias existencialistas; encararam a prevalência do orgulho e do egoísmo nas comunidades onde viviam como “culpa” de Deus, daquele Deus cruel e desfigurado por três divinas pessoas que nada faziam diante das dores humanas. E preconizaram o suicídio como alternativa de fuga do sofrimento sem esperança.

Por outro lado, sabemos que há falanges e falanges de Espíritos em verdadeiro desvario moral, emocional e existencial hoje reencarnados na face do planeta. Mas, perguntaríamos, e as influências do ambiente em que vivem? E o materialismo feroz que os isola (refiro-me aos jovens recrutados pela ferocidade e loucura de uns poucos)  e agride sem perspectivas de um possível refazimento (mesmo que minimamente) a potencializar a chama divina que trazem consigo (afinal também são criaturas de Deus)? 

Meditemos na mensagem de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Caridade para com os Criminosos... sem julgamentos, sem ódio que alimenta ódio, mas com espírito de misericórdia, tal como Jesus olhou a humanidade que o torturou, e oremos neste momento de grandes aflições.      

Vamos buscar alternativas para que o país no qual vivemos seja respeitado e a sua população encontre mecanismos de bem viver.

Lei de Causa e Efeito não é lei de talião; o barco que Jesus conduz nesses mares revoltos não prescinde de nossa colaboração para que continue a navegar em segurança.

E nós, espíritas, temos o dever e a responsabilidade de sair da nossa acomodação e semear a Paz, a Fraternidade, a Esperança e a Consolação nos corações próximos ou distantes. Isso também se chama FRATERNIDADE. 

E você, meu irmão e minha irmã que pensa continuadamente no suicídio como rota de fuga ao sofrimento que o/a atormenta, pense que o Espírito é imortal, seu corpo sofrerá o efeito desastroso de seus atos, que não solucionarão os seus problemas; mire-se em Jesus, acolha-se em seus braços, busque-o com toda a força de sua vontade, refugie-se em seu olhar doce e humilde mas enérgico e forte, como o irmão mais velho que Ele é, e busque a serenidade com Ele, em Suas palavras, em Sua mansuetude, em Seu amor. E descanse a sua mente fatigada com Ele.

Sonia Theodoro da Silva
www.filosofiaespirita.org

Filosofando: O Sofrimento segundo a Filosofia Espírita: https://www.youtube.com/watch?v=CoMsTsZ3E4k
 
Mundo Maior em Debate: O que vem após a Morte? https://www.youtube.com/watch?v=XimVtWpuErA       

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O MEU (AMADO) PAÍS

(em reprise...)

Coração do mundo ... pátria do Evangelho ... há quem veja privilégios nestas palavras... e até uma certa arrogância; muitos julgaram ou julgam o Brasil a nova terra prometida e, nós, brasileiros, o povo escolhido que abrigaria os novos tempos. Contudo, o conceito de pátria do Evangelho é bem mais abrangente: na verdade estamos todos unidos, por afinidade, desde o passado remoto até o presente contundente: trânsfugas morais, adeptos de posturas equivocadas; desde todos os tempos, de todos os recantos da Terra, de todas as crenças e filosofias, de todas as posições sociais, de todas as sociedades e culturas, em um só e imenso lugar, onde tivéssemos as condições propícias para mudar...     

Brasil... de costas imensas, de largas e extensas praias, de selvas verdes e matas densas, de  mares verdes e de aves multi coloridas, de felinos belos e serenos; do boto que se confunde com o rapaz bonito da lenda criança; da pantera, da onça, do tucano e do papagaio; do mico leão dourado e das borboletas azuis... do cãozinho amigo e do gato ladino; das árvores que encantam, que ensombram, que fazem a chuva chover... das noites enluaradas e das estrelas sem fim... do calor que assusta e do frio que faz sofrer...

Visto do alto, o meu Brasil se confunde com outras terras e outros mares tão azuis e tão extensos que minha vista mal alcança...o meu Brasil de terras imensas, de águas ocultas, de rios largos e imensos, de peixes tão grandes quanto pequenos. Visto do alto, meu Brasil me comove - quem é você, Brasil? De quais lugares você veio e onde você está? Quem te construiu, quem sustenta as tuas fronteiras?

Do alto do mais alto pico do Brasil eu poderia estender meus braços e abraçar o meu país, e torná-lo pequeno, e afagá-lo como a uma criança, como a um filho querido que geme e se contorce em suas dores, dores tão grandes que saem às ruas, que se revolta, que chora e se espreme em veículos que o conduzem à busca do trabalho distante, ou do divertimento imposto e bancado pelos novos colonizadores e catequizadores de ideias.

Quem é você, meu Brasil, personificado em milhões de olhares úmidos de pranto por seus filhos perdidos pela bala “perdida”... quem é você, meu Brasil querido, personificado em milhares de crianças e jovens que, na escola, mal sabem ler e escrever uns, ou que se perdem nos desequilíbrios da busca desenfreada do prazer que, logo trazendo o vazio,  sai e sai novamente sem rumo, sem destino...quem é você, meu Brasil, cujo olhar suplicante busca nos altares frios e distantes a resposta para o seu desencanto...

Quem é você, meu Brasil de milhões de esperanças e de outro tanto de almas enfermas da alma; quem é você meu Brasil que busca num simples jogo de bola a alegria distante...

Porque, meu Brasil, tantos te tratam assim? Porque de tuas matas mortas, de teus animais em extinção, de tua água que seca, tamanha a poluição... E eu afago o meu país pequeno em meus grandes braços, e tal como o profeta, levanto o meu país à vista d’Aquele que o criou, à vista daquele que é maior do que eu mesma, do que todos, e que esteve entre nós nos ensinando a caminhar,  e o entrego nos Seus braços, e peço, e oro, pelo meu Brasil, para que possa andar com suas pernas vacilantes, que possa sorrir de vera alegria, que possa ver em torno de si a grande promessa de paz, que possa abraçar e ser abraçado, amar e ser amado, sem medo, sem raiva, porque crescido, adulto, educado, maduro e irmão.              

Que o meu Brasil possa sair de madrugada, e seguir para o seu trabalho compensador, e encontrar a rota certa, a segurança, a realização. 

Que o meu Brasil não dependa de quem quer que seja para alimentar-se, cuidar-se, ter seus filhos, comprar sua casa – porque tudo, tudo que fizer e realizar e respeitar reverterá a seu favor.

Que o meu Brasil respeite mares e lagos, rios e matas, animais e humanos, pois tudo faz parte do mesmo ciclo de vida, porque sabe que se assim não fizer, simplesmente morrerá.

Que o meu Brasil tenha seus representantes legítimos porque eleitos pela Verdade e pela Verdade trabalharão.

Que o meu Brasil apague de sua lembrança os maus governantes, os manipuladores, os corruptos e corruptores, os roubadores, os criminosos, os mentirosos e hipócritas, os que deturpam a paz e lesam os bens públicos; e que este momento não passe de aprendizado – longo, doloroso e definitivo aprendizado - em busca da honestidade, dos valores e virtudes humanas que a sustentam e à Vida.

 

Que o meu Brasil reconstruído pelo trabalho, pelos estudos, pela capacidade que tem de  sentir  empatia, afaste de si o egoísmo feroz e o individualismo doentio, que empobrece as suas capacidades, que o torna menor, que o submete à manipulação, e bloqueia o seu imenso potencial de realização.

Que o meu Brasil reconstruído pelo Amor, a ele finalmente dê guarida, abrindo os seus braços para os filhos das guerras distantes, das tragédias que ferem, dos dramas ocultos, das perseguições inumanas e cruéis.

Que o meu Brasil gigante acredite em si mesmo, mas seja tão humilde quanto a sua imensa capacidade de compreender.

Que o meu Brasil querido seja o coração que ama e a terra do Amor, que, renascido um dia, partiu mas nunca nos deixou.

Brasil: ergue-te, realiza, trabalha, acredita, ama, suba aos montes mais altos, eleva-te em espírito e de lá, visualiza o imenso caminho que te cabe; ele está perto de ti, bem perto, tão visível quanto as estrelas, tão fresco quanto as ondas do mar, tão vivo quanto as árvores,  silentes, belas e partícipes da vida – sai em busca das tuas bem-aventuranças,  segue a Luz que te criou, encontra-te contigo mesmo, e com todos os que te cercam. 

Meu Brasil jamais se submete, jamais se escraviza, a nada e a ninguém, a nenhuma circunstância. E o meu Brasil refeito e reconstruído, espiritualizado e trabalhador, finalmente estará pronto para abrigar a Paz – e de seu imenso coração emanarão os mais sublimes sentimentos que abraçarão a Terra inteira, os nossos irmãos.

Sonia Theodoro da Silva
www.filosofiaespirita.org  

domingo, 6 de setembro de 2015

O NOVO EXODO – REFLEXÕES MOTIVADAS POR AYLAN

www.euronews.com
 
Há alguns anos tive minha própria experiência  com refugiados de guerra provenientes do Oriente Médio.  Uma amiga, minha vizinha e voluntária no plantão fraterno de nossa casa espírita, procurou-me e relatou a tragédia de uma família que estava hospedada três andares abaixo do meu, no prédio onde residíamos: dois casais com filhos ainda bebês, um comerciante e seu irmão, advogado e jornalista, todos provenientes do Líbano, precisavam de aulas de português.  

Todos tinham fugido da guerra em seu país, hoje parcialmente dominado pelo Hamas. Quando de minha estada em Israel, pude sentir o outro lado dessa história, à parte os motivos políticos, sempre insanos e cruéis infelizmente em sua maior parte, os israelenses sabem que em seu país a violência e o medo são latentes, já que estão cercados por outros países de maioria muçulmana, muitos hostis, e fazem fronteira com a Síria, hoje dramaticamente num processo talvez irreversível de auto destruição.


Fui convidada por eles, fluentes em francês e inglês, a ensinar o português para as esposas e o irmão deles, o advogado jornalista. Todos muito jovens haviam deixado suas famílias, casas, pertences, amigos, empregos, lembranças caras à sua existência.

Lembro-me de nossa primeira reunião para traçarmos os parâmetros iniciais para o ensino de nosso idioma: impossível não se comover diante da tragédia daquele grupo, que me olhava com olhares de expectativa (afinal, quem era aquela brasileira?), mas de esperança (nos sorrisos tímidos), pois naquele momento eu representava o início de uma convivência com a comunidade de nosso país. E conversamos sobre coisas simples da vida, até que a pergunta surgiu: qual a minha religião? Respondi que seguia o Espiritismo, uma doutrina filosófica com desdobramentos éticos e morais com base no Evangelho de Jesus e com raízes em Sócrates e Platão. Os olhos do advogado jornalista brilharam e começou a dizer que a religião deles, eram todos drusos, também tinha raízes em Platão e que considerava Jesus de Nazaré como um grande profeta da Paz. Foi o elo que faltava. Daí em diante, estabelecemos um contato que foi além do relacionamento professora-alunos, pois a confiança passou a fazer parte de nossas aulas. Pude sentir novamente na alma o que os Espíritos sempre disseram acerca da fraternidade universal, pois ali, naquela sala, onde as jovens faziam questão de servir-me café à moda oriental, numa aula de português, tinha diante de mim olhos de esperança, pois se o Brasil representava naquele momento um reinício de vida quase normal, a tristeza de ter que deixar tudo para trás permanecia latente no ambiente – e principalmente o advogado jornalista que pretendia voltar numa insistência melancólica diante do improvável.

Tempos depois o restante da família conseguiu se estabelecer definitivamente no país e queria que todos estivessem juntos.

A experiência pessoal de encontrar pessoas com anseios, expectativas positivas apesar da extrema gravidade de sua situação, portadoras de um excelente nível intelectual e que respeitavam as religiões pois, para minha  surpresa, nelas viam um acesso a uma relação mais humana para todos foi gratificante. Ficou a lembrança de boas conversas, sempre através do ensino do português,  de uma troca cultural rica de conteúdos e de esperança, e ainda de interesse por aquele desconhecido Espiritismo que para eles significou um belo caminho à fraternidade universal.

E tudo isso me veio à lembrança quando comecei a aprofundar-me na tragédia humanitária que hoje o mundo assiste e o continente europeu tenta enfrentar, e, diga-se de várias maneiras.

Não vou deter-me aqui a reproduzir o que a imprensa tem fartamente informado. Mas detenho-me na pessoa da criança flagelada pela insanidade de um país hoje semidestruído pela barbárie. Aylan, sacrificado como o filho de Abraão, porém sem a oportunidade de retornar à convivência paterna, pois o deus-homem não conhece compaixão, ficará em nossas lembranças, novo arquétipo de nosso inconsciente coletivo, inserto no mito do mártir que se sacrifica mesmo sem ter a consciência do sacrifício.

A morte de Aylan é uma imensa bofetada no rosto de todos aqueles que negam a si próprios a sua verdadeira natureza, humana e espiritual e destinada à consciência regenerada para o Bem supremo.   

Porém, a morte de Aylan inspira hoje o espírito solidário de alemães e austríacos, a essa verdadeira “invasão” de muçulmanos (aliás prevista por uma médium em 1996 durante um evento sobre Mediunidade numa grande casa espírita em São Paulo), porém, “invasão” esta motivada não pelas razões políticas do passado, mas pela tragédia da guerra e do ódio hoje vigentes naquela parte do mundo.  

Interessante notar que a Europa, histórica, militar e politicamente co-responsável por guerras monumentais locais e mundiais ao longo de sua longa trajetória, hoje é convidada  a – quem sabe – resgatar pelo amor e pela solidariedade os fatos dolorosos de seu passado remoto e recente.

Logicamente não podemos pensar ingenuamente sobre todo esse processo, já que ele implica em múltiplas faces de continuidade, mas não podemos deixar de supor que este pode ser o começo de uma nova civilização europeia, a partir da união entre Leste e Oeste, Ocidente e Oriente, que ao longo dos milênios foram atores de guerras fratricidas por motivos religiosos ou políticos.   

Mesclada com outras naturezas, outros gens, outras culturas, outras falas, outros idiomas, outras filosofias, outros modos de pensar e ver a vida, este pode ser  apenas o começo de uma nova existência para os que chegam perseguidos pela tragédia, e para os que lá residem à parte do processo traumático atual, mas não distantes da convivência com a guerra que sempre perseguiu o povo europeu.

Enquanto isso, para nós brasileiros, separados por um oceano desse drama também acolhemos outras vítimas, além daquelas oriundas das guerras fratricidas, as dos flagelos naturais, que igualmente precisam de nossa solidariedade e apoio.

Enquanto isso também, continuamos com nossa luta a favor da ética e da moral em nossa já combalida e decadente política nacional.  Lutamos contra a crise econômica que já bate às nossas portas. Lutamos contra a criminalidade e as injustiças, lutamos contra o aquecimento global e a matança indiscriminada de nossas fauna e flora.

Triste e melancólico final de ciclo evolutivo... Colhemos o que plantamos, porém sem desanimar de plantar novas sementes com base na ética e na moral de Jesus, e cuidar dos frutos verdes que já despontam entre nós, e que nos sustentam a esperança de esperançar, porém ativa, nunca acomodada ou na expectativa de que os Bons Espíritos façam o que nos compete fazer.    

Sonia Theodoro da Silva, bacharelanda em Filosofia.    

terça-feira, 18 de agosto de 2015

DEFESA DA VERDADE


Companheiros inúmeros asseveram que os postulados ensinados pelo Espiritismo sendo a verdade, não precisam de defesa.

Criaturas comodistas, não obstante bondosas, acrescentam que sendo a caridade a base em que repousa a Terceira
Revelação, não se deve chocar, incomodar ou advertir a ninguém.

A verdade, — afirmam, — fala por si, não necessita de pessoas que lhe esposem a causa.

Entretanto, vejamos dois dos grandes princípios que dignificam a vida:

Educação — Todos sabemos que a educação é realidade inconteste, mas, por isso, não deixa de ter escolas, programas, compêndios, professores e especialistas dinamizando o ensino, sem o que a ignorância contaria com o seu império de sombras consolidado na Terra.

Justiça — A justiça existe por si, no entanto, por essa razão, não dispensa tribunais, legislações, juízes e advogados que lhe administrem os recursos sem o que o mundo jamais sairia da animalidade e da delinquência.

Certamente que um orientador ou um magistrado não transmitem a instrução e nem aplicam a lei, à força de golpes ou a golpes de força, mas se prevalecem da força moral de que dispõem para ensinar e corrigir, clarear e reajustar.

Assim também a verdade na Doutrina Espírita

Não raro, aqui e ali, repontam obscuridades e enganos que, se acalentados, criam raízes de erros, estabelecendo prejuízos incalculáveis nos domínios do sentimento; de outras vezes, idolatria e trama artificiosa se levantam, com meloso enredo, ameaçando edificações morais de elevado alcance, a carrearem absurdidades e discórdias, através de mesuras e ardis.

Ninguém precisa ferir ou impor nesse ou naquele ponto da sustentação doutrinária, mas o espírita tem a obrigação de estudar e refletir, assegurar a limpidez dos ensinos que abraça e garantir-lhes a difusão clara nos alicerces do discernimento e da lógica, sem o que as consciências humanas, mesmo as que estejam sob os rótulos do Espiritismo, continuarão adstritas ao fanatismo e à superstição.

Não nos cansemos, pois, de trabalhar e servir mas sem deixar de raciocinar e esclarecer.

Fonte: Livro Sol nas Almas - Waldo Vieira - André Luiz.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

NOSSO PORTAL DE ESTUDOS E EMMANUEL


 

Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado como um Triângulo de forças espirituais. (Emmanuel)

A Ciência e a Filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém, a Religião é o ângulo divino que a liga ao céu. Nos seus aspectos científico e filosófico, a doutrina será sempre um campo nobre de investigações humanas, como outros movimentos coletivos, de natureza intelectual, que visam o aperfeiçoamento da Humanidade. No aspecto religioso, todavia, repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza do seu imenso futuro espiritual. (J.H. Pires)

Há uma grande importância no significado prático da Filosofia e da Filosofia Espírita, como grandes incentivadores à reflexão que faculta o autoconhecimento e abre amplas perspectivas ao entendimento das magnas questões humanas e espirituais. (Sonia Theodoro da Silva)

Olá, prezado internauta,

Visite nosso portal de estudos, www.filosofiaespirita.org, que está sendo continuamente atualizado,  com palestras em áudio, entrevistas e seminários  em vídeo, artigos sobre temas filosófico-espíritas, artigos sobre temas atuais, cursos modulares, mensagens em áudio, aulas em áudio em francês/português, mais 6 blogs de pesquisa e estudos, também em inglês e francês,
e em breve postagem das aulas especiais sobre o Pensamento de Emmanuel no módulo VER.
PARTICIPE, DIVULGUE, dê a sua opinião !!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A LENDA DE TRÓIA, A VERDADE, E O CENTRO ESPÍRITA


 


Todos conhecemos a história da famosa cidade situada às margens do Mediterrâneo. O poeta e historiador Homero que teria vivido por volta do século IX a.C., e a quem se atribui a elaboração das obras Ilíada e Odisséia relata  a tragédia dos troianos no primeiro poema e no segundo, a saga de Odisseu ou Ulisses, em seu retorno a Ítaca após os combates junto aos exércitos de Agamenon e Menelau. Tróia, cuja cidade fortificada entre muros sólidos impedia o assédio de povos bárbaros, invejosos de seus tesouros intelectuais e sociais, de sua influência política, de sua riqueza material, mas, sobretudo, de sua localização estratégica, pois era rota de navegação para outros portos comerciais, jamais poderia ser invadida, assim acreditavam os seus habitantes.

Porém, ninguém imaginaria que a famosa cidade-fortaleza seria vencida pelas frágeis asas de Eros, que envolvendo o coração e o raciocínio de Páris, irmão de Heitor, líder dos exércitos troianos, trouxe, juntamente com a beleza e a graça de Helena, esposa de Menelau, os motivos superficiais para o cerco dos gregos e de seus aliados. Após 10 anos, Tróia capitula, não pela força exaurida de seus exércitos, não pela morte afrontosa de Heitor pelas mãos e pelo ódio de Aquiles, ou pela estratégia militar dos gregos.

Tróia foi vencida pelo orgulho de achar-se inexpugnável. Tróia foi vencida pela falsa crença de que jamais poderia ser conquistada, já que contava com a ajuda perene e constante dos deuses. Já não mais poderia receber o aconselhamento de seus generais, que se destacavam pela enorme prudência em preservar os seus muros contra o assédio inimigo, pois estes jaziam mortos pela fúria avassaladora do conquistador.  Tróia foi vencida pela invigilância.  Tróia foi vencida pela ingenuidade de seus líderes, que acreditaram que o inimigo poderia presentear-lhes, após terem praticamente dizimado as suas forças, com um belo e imenso cavalo feito de madeira colhida às pressas de destroços de guerra (como um presente poderia ser proveniente de despojos oriundos do ódio, da morte, da violência?).

Tróia, na verdade, foi vencida pela astúcia de seus inimigos.

Tróia e seus guerreiros, a Grécia com seus heróis inspiraram as civilizações que se seguiram, principalmente Roma, cujos Césares atribuíam-se a descendência de Enéas, soldado troiano, portador da espada de Heitor após a morte deste, e que salva um punhado de mulheres e crianças da cidade incendiada; Alexandre Magno inspirava-se em Aquiles, e Juliano, que a equivocada Igreja nascente do século IV d.C. legou à posteridade como Apóstata, julgava-se a reencarnação de Alexandre, herdeiro do herói grego.   

A tragédia marcou o inconsciente coletivo humano e ajudou a formar os arquétipos coletivos do guerreiro, do mártir, do herói. E até hoje servem como modelos, embora, deturpados pela pós-modernidade, aos pseudo-heróis das guerras fratricidas que inundam a nossa humanidade de morte e de horror, estejam elas situadas em países distantes ou nas ruas das grandes cidades, no trânsito, nas mortes sem razão de ser.

Tróia realmente existiu? Ou trata-se apenas de uma lenda construída em bases mitológicas por um grego, amante de sua cultura e que, sensibilizado pela tragédia do inimigo, desejava perpetuá-la de forma heroica, legando a sua imagem à posteridade? Na região mesma onde Homero a situa, foram descobertas cerca de oito cidades-aldeia escavadas por arqueólogos e sobrepostas umas sobre as outras, e cujos vestígios de materiais queimados em uma delas comprovam-lhe a destruição pelas chamas de um grande incêndio. Se existiu ou não, verdade é que Tróia e o seu fatídico “presente” grego jazem em nosso inconsciente individual e coletivo, formando atos, atitudes e ações congêneres.

E a verdade? Conceitualmente, ela é o motivo pelo qual existimos, a força que nos impulsiona sempre para frente, apesar de tudo. A Verdade fez Sócrates buscar na intimidade intelectual de seus interlocutores os conceitos de justiça, de amor, e cujas argumentações Platão em seus  Diálogos coloca nos lábios de seu grande mestre. Sócrates incomodou o poder ateniense vigente, pois remetia as pessoas ao conhecimento a partir delas próprias, de suas consciências. E foi condenado à morte pela mediocridade.  

A Verdade tem feito vítimas ao longo do tempo. Jesus de Nazaré trouxe-a vestida de perdão, de amor ao próximo, de respeito e amor a Deus, sobretudo, de vida após a morte. E indicou os caminhos para chegar a ela, oferecendo-se em holocausto, jamais utilizando-se de subterfúgios para que ela sobrevivesse à hipocrisia de fariseus e violência de romanos. Simplesmente viveu-a em espírito, já que Ele, Espírito imortal e pleno, é o seu mais ilustre Portador.

Allan Kardec, discípulo de Jesus, reencarnado no século do Positivismo comteano, é convidado a elaborar a síntese do Conhecimento. E, sob o ditado e orientações dos mais eminentes e nobres Espíritos das dimensões superiores em moral, intelectualidade e amor à Humanidade, ante o desvelo do Espírito da Verdade, passa a escrever a mais nova aliança de Deus para com os homens perdidos em descaminhos intelectuais, sociais, políticos, religiosos, filosóficos.

E o Espiritismo, de forma simples, porém com conotações educativas, abole de vez o misticismo das religiões, o mito messiânico e idólatra que envolve Jesus de Nazaré, a arrogância da intelectualidade vazia, do mediunismo místico e ignorante das relações intra-mundos, da prepotência dos pretensos conhecedores daquilo mesmo que desconhecem: a Verdade.
A criação do Centro Espírita foi inspirada por Allan Kardec, subsidiada pelos Espíritos Superiores, e ainda é e será sempre o grande e insubstituível zelador do Espiritismo em seu formato de divulgação através de palestras educativas e consoladoras, pelo atendimento fraterno que dispensa às dores e angústias humanas, bem como através de seus cursos focados na Doutrina Espírita e suas corretas abordagens, que não ensinam, mas que despertam o Espírito humano para os seus grandes deveres para consigo mesmo e para com o seu semelhante, tal como a maiêutica socrática, em bases de Educação do e para o Espírito.  

O bom Centro Espírita jamais será superado por quaisquer movimentos humanos que visem a sua substituição perante a sociedade e o grande público. 

A intelectualidade a princípio deveria nele buscar a sua inspiração para preencher o vazio imenso que a Filosofia contemporânea e meramente acadêmica impingiu aos seus adeptos pelo mundo, pois raramente coloca-se como partícipe da nobre história do pensamento humano em seus esforços pela busca da Verdade em Espírito, tal como a Filosofia Espírita preconiza e revela.

A Ciência em seus desdobramentos, principalmente a Psicologia e a Psiquiatria, deveria buscar no bom Centro Espírita, e no Espiritismo, a inspiração para as  nobres ações e para as suas investigações com base nos arquivos inconscientes do Espírito. 

As Religiões teriam no Espiritismo, conforme Kardec dizia, o mais poderoso auxiliar para o desenvolvimento da espiritualidade humana.

Contudo, o que temos observado, é uma “invasão desorganizada” de Cavalos de Tróia entrando, à semelhança da tragédia de Homero, pelas portas adentro do Centro Espírita. Travestidos com suas roupagens aparentemente belas, contudo, trazendo consigo a natureza mórbida e destrutiva que os distinguem, portam, em sua bagagem, conceitos equivocados provenientes de movimentos de auto-ajuda, do africanismo brasileiro, de evangelismos e de sua contra-partida, o materialismo, ausente do real Evangelho de Jesus, de opiniões do senso comum de que o Centro Espírita é “uma empresa”, de mensagens de pseudo-sabedoria em total e absoluta discordância com os nobres princípios que norteiam o Espiritismo como força de transformação, aquela que faz com que vejamos o mundo com outros olhos. Trazem ainda a ausência de entendimento fraterno – o verdadeiro.

Se, a semelhança de Príamo, acreditarmos que somente aos bons Espíritos cabe a prudência no zelo ao Centro Espírita, se acreditarmos nas “paredes inexpugnáveis” do Centro Espírita, se abrirmos mão do estudo genuinamente espírita e metodicamente cultivado, se acreditarmos que é “caridoso”, é “democrático” abrir as portas para que todos falem de tudo, sem método, sem bases de seguro desenvolvimento com base no Espiritismo, como filosofia do Espírito e ciência do Espírito que é, e apenas com base na democracia popularesca, ou aos modismos midiáticos, se aderirmos à ingenuidade orgulhosa troiana e nos influenciarmos pelos equívocos da bela aparência, sem, enfim, acreditarmos fundamente de que o Espiritismo ainda é e será sempre a renovada Mensagem de Jesus aos corações e ao raciocínio humanos, seremos como os descuidados habitantes de Tróia.

As portas de centenas, senão milhares de Centros Espíritas pelo Brasil afora já foram escancaradas à imprudência. Cavalos de Tróia lá estão instalados e promovendo o seu declínio.  E tal como a infeliz cidade-fortaleza, fadados ao desaparecimento. Tal como as lendas que habitam o nosso inconsciente e que nos trazem, vez por outra, sentimentos de nostálgico vazio. 

Seremos castigados pelo futuro? Certamente que não. Não é assim que as Leis Divinas funcionam. O Cristianismo de Jesus foi invadido por manadas  incontáveis de Cavalos de Tróia, que lhe desestruturaram os princípios belos e verdadeiros. E porque verdadeiros, voltaram após 1532 anos, contados a partir do primeiro Concílio de Nicéia.

Voltaremos e voltaremos através das reencarnações sucessivas tantas vezes quantas necessárias forem para colocarmos novamente e novamente a mensagem de Jesus aos nossos e aos demais corações humanos carentes de fé raciocinada e de conhecimento da Verdade, a corrigir o estrago intelecto-moral ocorrido nas mentes de centenas de milhares de “seguidores”, arcando-lhe as consequências, num correto e justo “a cada um segundo as suas obras.” É desta forma que a falência de princípios recomporá os seus caminhos. Tal como ocorreu com a mensagem de Jesus, obstaculada, enegrecida e deturpada ao longo de toda a Idade Medieval, contudo renascida pelo responsável e inegável bom-senso de um único missionário, a serviço da causa do Bem sob os auspícios de centenas de Espíritos e sob o olhar infinitamente misericordioso de Jesus.

Bibliografia:

Codificação Espírita, Allan Kardec e os Espíritos do Bem representados por Jesus de Nazaré, o Espírito da Verdade (enfoque cap.     – Falsos cristos e falsos profetas, de O Evangelho Segundo o Espiritismo).

Curso Dinâmico de Espiritismo (J.Herculano Pires), cap. XX – Como combater o Espiritismo - (ao ilustre prof. Herculano tributo o meu mais profundo respeito pela defesa da Verdade espírita; é dele o conceito de cavalo de Tróia desenvolvido neste artigo);

Sol nas Almas (Espírito André Luiz)- Cap. 29 –Defesa da Verdade;

Instruções de Allan Kardec ao Movimento Espírita – Allan Kardec. 
SONIA  THEODORO DA SILVA, bacharelanda em Filosofia. 

sábado, 28 de março de 2015

A CRISE DE SENTIDO NO SÉCULO XXI



(Trabalho Acadêmico para a disciplina  de Ética Contemporânea)
Autora: Sonia Theodoro da Silva
Desde inícios do século XX, com o advento das escolas existencialistas motivado pela revolução industrial na sequência das guerras de independência dos EUA bem como a Revolução Francesa no século XVIII, e as duas grandes guerras mundiais de 1914 e 1939, a Europa entra no período do vazio existencial, que se amplia em nossos dias em direção à pós-modernidade ou modernidade líquida, como quer Zygmunt Baumann.

No campo religioso, a principal religião cristã, com seus quase 2 bilhões e meio de seguidores, também vive a sua mais grave crise institucional, com grande parte de seu clero preso a um sistema arcaico e imutável, quando não portador de comportamento desviante dos objetivos evangélicos, embora os esforços do Concílio Vaticano II, de seus Papas liberais, como o atual Papa Francisco, pastor de almas acima de qualquer suspeita de burocracia clerical.

Os centros de educação mundiais mas principalmente no Brasil, também vivem suas crises, com seus sistemas educacionais inócuos que informam mas não educam, no vero sentido da Educação.
Por sua vez, as artes concentradas na representação do vazio ou, como no caso do cinema, trabalham a distopia e a fantasia de heróis míticos fantasiados de super-heróis tão irreais quanto a violência que carregam consigo, numa proposta de reação catártica a um público sem senso crítico.

Em Seminário de São Paulo, em 1994 (Gonçalves & Iunskovski, 2011), discutiu-se a crise das produtoras de sentido no mundo, como as já citadas acima bem como as focadas na mídia e outros centros de poder. Entre todos os debatedores, José Guilherme Magnani mostrou em pesquisa que na cidade de São Paulo havia uma rede de trocas de sentido, que a magia continuava vigente nos sistemas simbólicos que ofereciam alternativas de sentido.
Hoje, com pouca diferença, já que a religião católica teve um boom de frequentadores e adeptos principalmente no Brasil após a Jornada para a Juventude com a presença do Papa Francisco no Rio de Janeiro em 2013, essa “magia” se desloca para os cultos  religiosos, na busca incessante pela comunhão com o sagrado, visto que a vida profana ou temporal continua repleta de desafios, violência, crises existenciais, políticas e sociais.

As chamadas seitas portadoras de teologia da prosperidade buscam preencher o vácuo de realizações profissionais e o desemprego com a promessa de que Deus poderá abrir caminhos aos seguidores desde que se engajem nas propostas “comerciais” dessa teologia.
Nesse contexto, a ética, pouco desenvolvida pela mídia patrocinada por produtos que visam alcançar vendas astronomicas, por isso a exploração de temas ditos polêmicos em busca dessa audiência, bem como os escândalos políticos vigentes em nosso país, praticamente inexiste, foi obscurecida pela onda de descrença e de falta de objetividade. Todos sofrem as consequências dos escândalos patrocinados pela corrupção antiga e atual, todos exprimem esse sentimento de “estar farto de alguma coisa”, desde o desmatamento inequívoco e diário da Amazonia, até a avassaladora ganância de políticos frente ao herário público.

A crise institucional como um todo reflete a crise existencial na qual hoje o indivíduo se coloca, como um ser que nada espera já que a ética deixou de pautar, em sua maior parte, o comportamento dos produtores de sentido, e a moral deixou de regular o comportamento do sujeito dela portador. 
De tal forma a crise ética enfrenta um vazio condutor e norteador no dizer de Kant, que não houve questionamentos quanto ao comportamento de total ausência de ética e moral do jornal Charlie Ebdo que se achava – e acha – portador do facho da Liberdade, como se ela, a liberdade para ser válida devesse exprimir a total ausência de ética no trato com as religiões, extremistas  ou não, no trato para com a mulher, bem como as instituições que formam a nossa  sociedade. Poucos reconheceram o fundamentalismo da pseudo-liberdade preconizada pelo dito jornal que tornou-se vítima de seu próprio extremismo, esquecendo-se que liberdade é fundamental, desde que vivida e pregada com ética.

Segundo Marcondes (Marcondes, 2007), em Kant a razão prática pressupõe uma crença em Deus, na liberdade e na imortalidade da alma, que funcionam “como ideais ou princípios regulativos. A crença em Deus é o que possibilita o supremo bem, recompensar a virtude com a felicidade. A imortalidade da alma é necessária, já que neste mundo virtude e felicidade não coincidem, e a liberdade é um pressuposto do imperativo categórico, libertando-nos de nossas inclinações e desejos, uma vez que o dever supõe o poder fazer algo.”

Em A República, Platão revela que o que está em jogo na alegoria da caverna é a liberdade das correntes da ignorância e da ausência de comportamentos não indutores do marasmo moral.
Hoje como ontem, torna-se necessário ao sujeito analisar profundamente a sua época, e buscar alternativas de vivência ética e moral, em todos os setores da vida, nas instituições que caracterizam a nossa sociedade, bem como no comportamento que norteia as nossas relações na família e na sociedade como um todo.
Estamos em época de transição de uma sociedade desprovida de motivações éticas para uma sociedade onde o respeito à Vida, sob qualquer forma manifestada possa preencher o vazio que ora ocupa a vida de relação. Sem isso continuaremos ampliando a era do vazio instalada há mais de um século e que se perpetua até os nossos dias, e alcança a nossa vida de relação social bem como familiar. 

Fontes:
Modernidade Líquida, Zygmunt Baumann, ed Zahar, 2000.
L’Osservatore Romano, janeiro, 2015.
LD Experiência do Sagrado e Religião, U V, 2011.
Iniciação à História da Filosofia, Danilo Marcondes, ed. Zahar, 2007.
Ética Clássica, LD U V, 2008.
Ética Moderna, LD U V, 2011.

Pensamento Ético Contemporâneo, Jacqueline Russ, ed.Paulus, 2011

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

AUSCHWITZ - BIRKENAU... O HOLOCAUSTO CONTINUA


Reflita sobre o ocorrido com o tema no blog http://filosofandocotidiano.blogspot.com

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

LIBERDADE DE IMPRENSA ? UMA OPINIÃO

Liberdade, Igualdade, Fraternidade
(quadro de Eugène Delacroix, "A Liberdade guiando o Povo', 
  simbolizando o lema da Revolução Francesa: Igualdade, Liberdade, Fraternidade)

As execuções ocorridas na data de hoje nas dependências do jornal parisiense demonstram vários aspectos de um mesmo problema, analisemos por partes:

1) O jornal Charlie Hebdo atingido pelo ataque tinha como lema “um jornal irresponsável”;
2) O jornal não tinha limites em suas pesadas críticas contra a política nacional e internacional, instituições, etnias, gêneros, e principalmente contra ícones e símbolos religiosos, e que envolvia sátiras, ironias, e exposição ao ridículo de representantes da sociedade e das religiões;
3) A Europa, principalmente a Alemanha, está no foco de atração de refugiados de todas as partes do Oriente Médio;
4) A França está num processo acelerado de secularismo e laicismo da sociedade como um todo, embora muitos franceses afirmem acreditar em Deus;
5) A Grã-Bretanha se mantém fechada a qualquer tentativa de acolhimento de refugiados de qualquer parte do planeta ou sequer de colaboração com os povos vítimas de guerras civis;
6) A Itália tem sido a porta de entrada por via marítima de refugiados de países em guerra do Oriente Médio, porém já existem movimentos internos que declaram a sua insatisfação pela ajuda prestada;
7) A Espanha e Portugal praticamente se omitem nessas questões mas já aconteceram inúmeras manifestações públicas de governos e populações contra a entrada de imigrantes em qualquer situação.  

O livro A Caminho da Luz do Espírito Emmanuel em consonância com o livro A Gênese de Allan Kardec principalmente o capítulo sobre a raça adâmica, faz reflexões sobre as origens espirituais dos povos, e aqui fazemos um recorte para focar os indo-europeus, de instinto belicoso e dados ao belicismo. A história se encarregou de comprovar a veracidade dessas afirmações ao longo dos milênios, principalmente durante o século XX quando os europeus foram os responsáveis por duas grandes guerras em solo continental e que acabou por alastrar-se para todo o planeta.  

Não estamos crucificando a Europa, berço ocidental da cultura, das artes, da filosofia e da ciência, que influenciou e continua a influenciar todo o resto do mundo. 

Contudo não posso deixar de reconhecer que, neste exato momento de grandes testemunhos perante as Leis Universais, a Europa pode estar colhendo os frutos de uma semeadura complexa e que os direciona, de maneira implacável, a um resgate coletivo.  Estariam hoje os países europeus sendo convocados a resgatar seus compromissos por amor, recolhendo vítimas de guerra, quando no passado eles próprios as fomentaram?

Porque exatamente a Alemanha, a Itália e a França são os países mais procurados pelos refugiados? O que os atrai para aquelas culturas totalmente diferentes das culturas chamadas islâmicas, ou melhor dizendo, das culturas sírias, libanesas, paquistanesas, iraquianas, palestinas, etc.? A História poderia responder a essas incógnitas?

Com relação ao ataque na data de hoje ao jornal francês – nada justifica a violência contra vidas humanas -, ouvimos um comentário de um jornalista brasileiro da Globo News dizer: O LIMITE DO HUMOR DEVE SER O LIMITE DA DIGNIDADE HUMANA – com o qual concordamos plenamente.

Penso que de forma alguma essa hostilidade travestida de comédia traz elementos formadores de opinião, senão de acirramento dessas mesmas hostilidades contra essa face inexplicável do pseudo-islamismo, que nos parece oportunista pois se aproveita de outra grave situação que são as ações de ortodoxos extremistas, e contra toda e qualquer cultura ou religião orientais.

O jornalista brasileiro (infelizmente o seu nome foi pouco mencionado) pontuou os seguintes itens a serem pensados nesse sentido os quais ele denomina de etnocentrismo e contra os quais deve-se  tomar muito cuidado, haja vista as manifestações públicas contra a imigração estrangeira em solo europeu:  
·         Identidade constituída exclusivamente pelo fundamentalismo
·         Sociabilidade determinada pelos ritos
·         Intolerância com outras religiões
·         Fato desrespeitoso (charges ridicularizantes)
·         Reação violenta (lobos solitários ou não)
·         Perseguição e criminalização de grupos afins
·         Nova reação violenta 

Cada item desses deve ser lido como um processo contínuo que leva à separatividade e ao acirramento de ânimos, o que não ajuda em nada o processo de democratização e de respeito às liberdades individuais que já estavam em andamento em alguns países do Oriente Médio e que sofreu brutal interrupção com a influência da violenta guerra civil síria, e agora com o surgimento de grupos extremistas como o estado islâmico.  

Conforme o Evangelho Segundo o Espiritismo, os nossos direitos não devem esbarrar nos direitos dos outros de viver e de conviver, de ir e vir, de ter crenças ou não. O respeito está na base da boa convivência, portanto, há que se respeitar o semelhante, e muito mais agora, quando as hostilidades são escancaradas e não existem mais limites nem barreiras éticas às agressões contra o outro ser humano.

Regimes autoritários e extremistas um dia acabarão, legando à posteridade uma memória de dor e de sofrimento – e para o resto de nossas vidas traremos em nossas lembranças esses dias de tristeza e de luto, porém caindo em nós mesmos, de que grande parte da responsabilidade coube ao próprio ser humano, como semeador ininterrupto da intolerância e da cegueira espiritual e suas trágicas consequências.

Nunca o Espiritismo foi tão necessário quanto agora – o Espiritismo com Allan Kardec e com Jesus de Nazaré.  

Sonia Theodoro da Silva, 07 de janeiro de 2015. 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Árvores caem? Quem é responsável?



Esta semana em São Paulo mais de 200 árvores caíram por força (dizem) das chuvas e dos ventos. Pergunta: chuvas, ventos, raios, tempestades, fazem parte dos fenômenos naturais?

Sim, é óbvio que sim... porém, nem todos pensam assim. E continuam reclamando das inundações, das mortes causadas por raios, das casas com  rachaduras e dos móveis e bens materiais perdidos pela força das águas, da falta de energia elétrica porque as árvores “destruíram” a rede elétrica.

Semanas atrás ouvimos as palavras de uma mãe que acabara de perder seu filho ex-combatente do Exército norte-americano e agora voluntário nas inúmeras forças de ajuda aos exilados de guerra em campos de recolhimento e cruelmente morto pelo estado islâmico: “meu filho morreu porque o mundo está enfermo...”

No mesmo instante pensei nos sentimentos que podem ter se sucedido no coração amantíssimo de Maria de Nazaré quando viu seu filho bem-amado sob o suplício romano e farisaico, sob a cusparada de um povo que ele ajudara a curar-se de suas doenças e mazelas, sob o abandono de seus  discípulos e seguidores...

Seu filho morrera porque o mundo estava enfermo...

E porque hoje o mundo ainda continua enfermo? Analiso a Humanidade – ou grande parte dela – como sonâmbulos padecendo de patologias mentais, sendo a maior delas a “psicopatia do desprezo” pela vida de seu semelhante e para com a Natureza.

No Brasil, esse mesmo ser humano continua a dilapidar a mata Atlântica para construir “seu lar”; continua a devastar a Amazonia para ampliar o agro-negócio e alimentar as bocas  dos povos de outros países que não souberam – ou não querem – bem  administar os seus bens naturais (e para que, se o Brasil tem espaço geográfico suficiente e uma imensa ganância política?) .

Esse mesmo ser humano continua a devastar os espaços naturais das grandes cidades como São Paulo, já esgotada em seus recursos naturais e especialmente hídricos para construir casas, edifícios, condomínios, favelas, desalojando a fauna que contribui para o eco-sistema e destruindo a flora que mantém a vida...

Esse mesmo ser humano sequer se preocupa com a já escassa vegetação à sua volta e quando árvores caem, a culpa é atribuída à chuva e ao vento refazentes, acolhedores, absolutamente naturais e bem vindos a nutrirem a terra e a saúde desse mesmo ser humano que acusa os órgãos oficiais de não cortarem as árvores prestes a cair...   

E permanece a pergunta:  porque não cuidaram das árvores, da vegetação, das plantas, das flores? Porque deixaram que os predadores as consumissem ?  Porque os órgãos oficiais cortam árvores ao invés de cuidar delas?

Porque a própria população não toma a iniciativa de “adotar” uma árvore, um parque, uma praça como alguns poucos o fazem?
É muito mais fácil cortar do que tratar – é muito mais fácil construir barracos espalhados pela cidade e em zona de preservação ambiental do que permanecer em seus locais de origem e exigir dos governantes que propiciem trabalho e condições dignas de vida.

Fazendo um balanço do ano de 2014 nessa alvorada de 2015, permaneço cética quanto à tomada de consciência e de responsabilidade por parte de grande parte da população  que se julga credora das benesses públicas e divinas e que se omite, se refugia e se oculta nos shopping centers, entre os bens de consumo, nas igrejas, nos centros espíritas, nos terreiros de umbanda e candomblé...  

Os espíritas em especial, muitos preferem atribuir a culpa ao "momento de transição" e aos estertores do mundo de provas e expiações sem sequer refletirem que o mundo é produto de nossos pensamentos e de nossas ações - ou da ausência delas.  

E penso em Jesus, em seu sacrifício,  em seu imenso Amor. E penso na dor de Maria de Nazaré, por seu filho sem mácula dando a Sua Vida para que a humanidade entendesse de uma vez por todas que o egoísmo humano é patológico e que o orgulho humano é produto da insanidade em que os seres humanos vivem e  que insistem em permanecer mergulhados. 
(Sonia Theodoro da Silva)