FILOSOFIA ESPÍRITA, ENCANTAMENTO E CAMINHO

"JARDIN" - Claude Monet

BEM-VINDO (A) !
Síntese da nobre caminhada do ser humano em busca de sua natureza real, sua Ciência é o instrumento eficaz que estimula o Espírito à sua auto-descoberta; sua Filosofia o conduz à reflexão profunda; sua Religião em Espírito e Verdade revela-lhe a natureza divina de co-criador e partícipe do Universo.

Quando assim compreendida, permeia visões de Vida, amplia horizontes, eleva sentimentos, faz fluir, como as ondas suaves de um rio, as virtudes latentes e desconhecidas de seu mundo interior...


Por sua vez, a Música, como parte da Arte que reflete a busca pela própria transcendência balsamiza, inspira, eleva, encaminha à serenidade, à reflexão...


Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001) - CONSULTE O RODAPÉ DESTE BLOG:

“Seria fazer uma ideia bem falsa do Espiritismo acreditar que a sua força decorre da prática das manifestações materiais (...). Sua força está na sua Filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom-senso.” (Concl.VI - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec)."O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: o das manifestações, o dos princípios de Filosofia e Moral que delas decorrem e o das aplicações desses princípios.” (Concl. VII - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec).


O Título ©Projeto

Estudos Filosóficos Espíritas foi cuidadosamente refletido, tendo em vista que: 1) Deve refletir a natureza da obra espírita, eminentemente filosófica; 2) Deve refletir a natureza do curso; 3) Estudos Filosóficos é também o nome da vasta obra filosófico-espírita de Bezerra de Menezes, e constante da Bibliografia de apoio do deste projeto, com o qual pretende-se homenagear, reverenciando-lhe o trabalho ainda intenso de sustentação a causa espírita no Brasil, nas dimensões espirituais, juntamente com Espíritos da estirpe de Léon Denis, hoje liderando a Falange da Latinidade que igualmente traça diretrizes para a disseminação das ideias espíritas à humanidade;

4) Iluminando o Evangelho de Jesus com as luzes do Conhecimento Espírita, passaremos a trazê-lO ao coração, ao pensamento, à razão, aos atos, às atitudes, vivenciando com pleno saber e plena aceitação os seus ensinos.

Tal é a finalidade do Espiritismo – formar caracteres com vistas ao mundo de Regeneração (vide KARDEC, Allan, Obras Póstumas, “As Aristocracias”, div.ed.), conforme predito nas palavras de Jesus (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.VI, O Consolador, div.ed.), corroboradas pela Codificação Espírita.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

domingo, 14 de abril de 2019

MORTES COLETIVAS, CASTIGO DIVINO?


(O anjo na sepultura de Cristo - Benjamin West)
 
As mortes coletivas sempre foram motivo de questionamentos por parte de todos os que estamos sendo informados das dores e aflições de muitos, seja no Brasil ou no exterior.

O que teria motivado realmente essas mortes? Imprudência das vítimas? Descaso das autoridades? Irresponsabilidade ou imprudência dos envolvidos? Predestinação? Fatalidade?

Qual a causa real desses infortúnios vistos pela Filosofia Espírita? Lei de ação e reação? Lei de Causa e Efeito? Seja qual ou quais foram ou são as causas, ficamos todos imensamente comovidos diante de tanta aflição e sofrimento. Pessoalmente adotei o hábito de orar por todos no exato momento da informação divulgada e recebida por mim através da mídia. Sugiro que todos façam o mesmo.  

Contudo, importante diferenciar lei de ação e reação de lei de causa e efeito.

Ação e reação evoca a terceira Lei de Newton : “A Terceira lei de Newton descreve o resultado da interação entre duas forças. Ela pode ser enunciada da seguinte maneira: para toda ação (força) sobre um objeto, em resposta à interação com outro objeto, existirá uma reação (força) de mesmo valor e direção, mas com sentido oposto. A partir desse enunciado, podemos entender que as forças sempre atuam em pares. Nunca existirá ação sem reação, de modo que a resultante entre essas forças não pode ser nula, pois elas atuam em corpos diferentes.” (prof. Joab Silas, graduado em Física)

O destaque é meu. Portanto, atribuir essa lei às causas e efeitos originárias de motivações de cunho moral, é errado, pois validaria a lei de talião criada por Hamurabi e sancionada por Moisés tempos depois.  

Segundo o Livro dos Espíritos, as Leis Divinas estão na consciência humana. Historicamente a  humanidade é contraventora das Leis Divinas, visto que ainda se situa em plano consciencial de provas e expiações; ao repetir erros a lei de causa e efeito atuará no sentido de recolocar o indivíduo no correto caminho do qual ele se desviou, para que ele – ou ela - devidamente “conscientizado”, reconheça a necessidade de ser “uno com o Pai”, tal como Jesus dizia e repetia sempre.

Ser “uno com o Pai” é uma expressão que designa o pleno cumprimento e consequente seguimento das Leis de Deus, pois estas nos reconduzem ao equilíbrio, e, portanto, a um estágio, mesmo que temporário, de felicidade. Porque estágio temporário? Importante lembrar que, conforme o Evangelho Segundo o Espiritismo, a felicidade plena “não é deste mundo”.  Já que a nossa existência real não é na Terra, pois aqui estamos no estágio de aprendizado, as lições se bem aprendidas nos colocarão em fase mais adiantada de entendimento, compreensão e consequente vivência e convivência em patamares cada vez mais altos.    

Segundo os Espíritos – Emmanuel, Joanna de Ângelis, Bezerra de Menezes, e enfatizo a última mensagem do Espírito Gabriel Delanne (www.filosofiaespirita.org ), onde o eminente cientista espírita destacou o comportamento “individualista feroz” de nossa civilização atual, o que nos levaria a graves consequências com relação a atos e ações praticados contra o semelhante e ao meio ambiente. Observamos que, atualmente, esses acontecimentos previstos (veja-se a mensagem “Advertência de Amor” de De Ângelis) estão ocorrendo amplamente.

Allan Kardec, por sua vez, com a lucidez que o caracteriza, informou em A Gênese, que o período de transição seria caracterizado pela “luta de ideias”. Muitos respiraram aliviados, achando que Kardec não estava “prevendo” guerras fulminantes.

Entretanto, lembremos que o século XX foi o século de maior refinamento da violência e da crueldade de uns contra os outros, a arrastar-se pelo século XXI afora. E essa “luta de ideias” pode levar a atitudes reativas de ódio e destruição se o jogo de interesses for primazia nas relações internacionais.

E nas relações humanas cotidianas? Fiquemos em terras brasileiras. O Brasil, tido como “pátria do Evangelho”, na realidade se configura como “pátria” das centenas de cultos religiosos que aqui encontraram terreno fértil no sentimento do cidadão brasileiro.

É “coração do mundo”? Depende do que acharmos dessa definição. No momento, vemos um país mergulhado na violência de todas as formas configurada, principalmente contra a mulher.

Dois brilhantes sociólogos, Jean Baudrillard, francês, autor do best-seller, “Sociedade de Consumo”, e Zygmunt Baumann, polonês, autor da expressão “modernidade líquida”, ambos detentores de uma visão ampla e sensível da sociedade que criamos desde fins do século 18 até os nossos dias, período que Allan Kardec também analisa e configura como sendo o início da “transição”, definiram o momento atual como praticamente ausente de iniciativas éticas e morais que pudessem conduzir o indivíduo a um estágio minimamente caracterizado como “feliz” .

Mario Vargas Llosa em “A Civilização do Espetáculo”, igualmente proclama: “este pequeno ensaio não tem a aspiração de aumentar o já elevado número de interpretações sobre a cultura contemporânea, mas apenas de fazer constar a metamorfose pela qual passou aquilo que se entendia ainda por cultura quando minha geração entrou na escola ou na universidade e a matéria heteróclita ( excêntrica) que a substituiu, numa adulteração que parece ter-se realizado com facilidade e com a aquiescência geral.”   

Nossa sociedade, segundo mensagem do Espírito Gabriel Delanne, em 2004 (www.filosofiaespirita.org), pela mediunidade lúcida de Raul Teixeira, é hoje uma sociedade onde predomina o individualismo feroz; observação de um Espírito que atuou fortemente na estruturação, continuação e divulgação da ciência espírita segundo o Espiritismo.

Os três analistas de nossa sociedade, que partilham o mundo espiritual e o mundo dos encarnados, e cada um em sua área de atuação, foram absolutamente concordes no que se refere ao quadro existencial atual.   

Unindo os pareceres dos autores e analistas, e com profundo respeito à Filosofia Espírita, detentora de princípios eternos e imutáveis, porém, como disse Allan Kardec, ela, a Filosofia Espírita é progressiva (não progressista), ou seja, acompanha e age como forte coadjuvante no desenvolvimento  intelecto-moral humano, afirmo que a nossa sociedade, da forma como está constituída  – individualismo feroz, mais capitalismo como sistema econômico em seus excessos, mais sociedade de consumo -, ESTÁ ACIONANDO A LEI DE CAUSA E EFEITO A NOSSO DESFAVOR, JÁ QUE SOMOS TODOS CONTRAVENTORES DAS LEIS DIVINAS, gerando processos de resgate coletivos, bem como individuais, extremamente dolorosos, já que pouco ou nada fazemos para mudar a atual situação. 

Entretanto, não se trata de mecanismo punitivo, e sim, educativo, porque desperta valores e motiva e incentiva o exercício de virtudes, conscientemente abandonados por grande parte, senão a maioria da nossa humanidade atual.

NÃO PRECISARIA SER ASSIM, bastaria que nos harmonizássemos com a mais importante Lei  (consulte-se O Livro dos Espíritos), ou seja, trabalhássemos intensamente por uma sociedade em bases firmes de valores éticos e virtudes morais, que os resgates e provas PODERIAM SER MAIS AMENOS, POR CONTA DE NOSSA INICIATIVA NO BEM EFETIVO.

Estamos vivenciando um processo de transição violenta.  Os Espíritos Superiores são categóricos ao afirmar que precisamos, nas casas espíritas sérias, acolher sim, porém, ensinar, elucidar, esclarecer.

EM NOSSA ÉPOCA, ONDE TODOS TEMOS ACESSO À INFORMAÇÃO, NÃO SE OFEREÇA MAIS “LEITE” COMO ALIMENTO – PARAFRASEANDO PAULO DE TARSO – MAS “ALIMENTO SÓLIDO” PARA QUE TODOS TENHAM O INSTRUMENTAL DO CONHECIMENTO E PRINCIPALMENTE DO CONHECIMENTO ESPÍRITA PARA SE LIBERTAR DAS INJUNÇÕES DA MATÉRIA E OPTAR DE FORMA CONSCIENTE POR COMPORTAMENTOS CONDIZENTES COM O MOMENTO DRAMÁTICO QUE VIVEMOS.

ESSE MOMENTO REQUER DE DIRIGENTES, EXPOSITORES E EDUCADORES ESPÍRITAS, ADESÃO PLENA E TOTAL AOS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS, REVELADOS A NÓS NUM COMPOSTO DOUTRINÁRIO E JUSTAMENTE NO MOMENTO EM QUE A TRANSIÇÃO ESTARIA SENDO INTENSIFICADA.

Sonia Theodoro da Silva, Filósofa e espírita.    
Bibliografia:
Citadas no texto 
Bibliografia sugerida:
Obras Póstumas , Allan Kardec 
Após a Tempestade, Joanna de Ângelis ( médium D. Franco) 
Subir aos Montes, mensagem de Emmanuel, Caminho Verdade e Vida (médium FCXavier)              

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

BRUMADINHO E LEI DE TALIÃO


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No dia 25 de janeiro de 2019, a barragem de detritos de minérios criada e administrada e sob a responsabilidade de uma empresa mineradora brasileira, a Vale do Rio Doce, na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, rompeu.

E foi tão rápido, tão violento que não houve sequer condições para que mais de 500 pessoas que estavam trabalhando, almoçando ou em seu lazer numa das pousadas localizadas ali perto ou até passando pela região, sequer pudessem compreender prontamente o que estava acontecendo, e muito menos fugir a tempo de salvar as suas vidas.

Os técnicos que possuem expertise em gerenciamento de risco são unânimes em afirmar que a empresa assumiu todos os riscos a partir do instante em que não fiscalizou o que tinha que fiscalizar, quando e da forma profissional que tal problema exigia.

Os vídeos que mostram agora o alto poder de destruição da barragem rompida, a quantidade de dejetos que envolveram acres e acres de terra cultivadas, matas, florestas, arrastando consigo animais, casas, carros, caminhões, trens, e principalmente vidas humanas numa violência jamais imaginada por quem quer que pudesse pensar na possibilidade desse desastre acontecer.

Todos supomos que empresas desse porte tem gerenciamento de risco atualizado, com profissionais competentes e fiscalizadores de possíveis danos que possam ocorrer.

Mas a experiência tem demonstrado o contrário. A mesma empresa foi a responsável pelo genocídio de vidas humanas e animais, pelos danos irrecuperáveis à natureza na região de Mariana, também em Minas Gerais e  agora em Brumadinho.

O prejuízo financeiro que essa empresa está tendo no Brasil e no exterior é muito pouco, comparável ao crime cometido por ela. As autoridades do país, o poder judiciário tem que ser rigorosos e severos na punição e no ressarcimento pelos danos às famílias enlutadas, muito embora nenhuma indenização tenha o poder de apagar a dor lancinante dessas famílias.

Notável e comovente o trabalho dos bombeiros, que diuturnamente buscam os corpos ou os restos mortais das centenas de pessoas presas na lama. Extraordinário ainda o trabalho dos profissionais da Polícia Civil, a Defesa Civil, a Polícia Militar e das Forças Armadas, bem como dos militares israelenses.

Os grupos de voluntários, as ONGs que cuidam dos animais resgatados, todos formaram uma força humana ao mesmo tempo profissional, solidária, humanitária.

E nós, que estamos distantes fisicamente desse drama, mas não estamos distantes com a nossa solidariedade e sentimento de profundo pesar e respeito a todos os envolvidos, permanecemos em preces, eu pessoalmente e o CEFE-Centro de ESTUDOS Filosóficos Espíritas.

 Tal evento chocou a sensibilidade de todos, tanto no Brasil quanto no exterior e por outro lado, muitos questionam o porquê desse drama, sob o ponto de vista espírita.

O que fizeram essas pessoas para merecerem esse gênero de morte? E os que foram lesados em seus bens, e os animais envolvidos?

Nenhuma tentativa de explicação poderá desvendar as razões pelas quais aquelas pessoas estavam ali naquele instante.

Além disso, seria desumano por parte de quem quer que fosse, localizar essas pessoas em qualquer evento nefasto da história para tentar justificar o injustificável.  

Jamais poderemos mensurar o comprometimento individual ou coletivo de qualquer pessoa, de qualquer Espírito diante dos próprios compromissos com as Leis Divinas.

Temos visto pela internet pessoas do movimento espírita procurando explicar as causas que motivaram os efeitos dolorosos para a vida dessas pessoas.

O Espiritismo, a Filosofia Espírita é clara e objetiva. Somos responsáveis pelos próprios atos e ações e pensamentos, DESDE QUE tenhamos noção das consequências desses atos, ações e pensamentos.

A culpa permanece na consciência daquele que agiu sabendo que agia erradamente contra si e  contra o seu semelhante. A consciência culpada, quando cai em si, seja nesta existência ou nas dimensões espirituais, busca ressarcimento através de compromissos  para com a comunidade ou comunidades de pessoas com as  quais se envolveu ou outras pessoas que necessitem de seu trabalho, dedicação, de sua vida, enfim.   

Essa noção das consequências dos próprios atos e ações, começa a partir da vinda de Jesus entre nós. Anterior a ele, as comunidades e seus chefes e líderes guerreavam entre si na busca de terras, fortunas e poder.

Na época não havia conceitos de moral, que elevasse o ser humano ao respeito pela vida alheia.

Os impérios da antiguidade transitaram ao longo de centenas de anos nessa situação. Mas nem assim deixaram de construir e fazer progredir as populações a elas submetidas. Exemplo, o império Romano, mas também a Magna Grécia, o império persa, o império babilônico e assírio.

Com o advento da presença de Jesus de Nazaré no planeta, o ódio e a sede de poder brutal vai cedendo aos poucos, à medida em que o indivíduo toma ciência e se conscientiza da necessidade do bem estar comum, que transita através do perdão, da compreensão, do respeito e da empatia ao seu semelhante, e à natureza que o cerca.

Portanto, essa conscientização é muito recente. Jamais poderemos culpabilizar civilizações da Antiguidade por atos e ações que elas acreditavam firmemente serem verdadeiras, pois seria o mesmo que culpar um indígena antropófago por alimentar-se de carne humana.

Exemplo disso, as civilizações asteca e maia, sacrificavam pessoas aprisionadas nas guerras tribais, e se alimentavam de suas carnes e bebiam seus sangue. O significado era que estavam prestando homenagem ao guerreiro morto e tomando seu sangue, tido como a seiva da vida entre os antigos.

Isso não era sinônimo de barbárie.  Todos estavam transitando num horizonte consciencial semi primitivo, portanto.

Após Jesus de Nazaré, com a difusão do Cristianismo pelos seus apóstolos, por Paulo de Tarso e seus seguidores, os indivíduos foram mudando aos poucos e harmonizando-se entre si.

Joanna de Ângelis tem uma bela passagem reflexiva numa de suas mensagens onde prioriza as diferenças entre as sociedades no antes de no depois da vinda do Cristo.

Portanto, são apenas 2019 anos de civilização cristã.

Contudo, nesse trajeto milenar, o ser humano não aderiu plenamente aos ensinamentos do Mestre, que, por acréscimo de misericórdia em seu infinito amor à humanidade, prometeu enviar o Consolador para que pudéssemos, almas comprometidas que somos, tomar consciência da mudança definitiva de nossas atitudes, pensamentos e ações.

A Filosofia Espírita abre perspectivas de entendimento e consolo; compreensão e aceitação de nossas dores e aflições. Sabemos que existem causas para o sofrimento humano, mas saber exatamente quem, como, quando, detalhes, a ninguém é dado esse poder de desvendar, já que as Leis Divinas nos conferiram a dádiva do esquecimento das vidas passadas no processo das reencarnações sucessivas.    

E muito menos de divulgar publicamente, pois , conforme eu disse antes, seria de uma crueldade extrema detalhar débitos que não são nossos, e portanto, merecem toda a nossa discrição e respeito.

Mesmo nas Terapias de Vidas Passadas, quando realizadas por profissionais sérios e éticos, a identidade das pessoas permanece oculta pela ética profissional.  

Divulgar publicamente ou especular sobre as vidas alheias  seria, conforme o filósofo Immanuel Kant afirma, emitir um juízo de valor extemporâneo e eu diria, irresponsável.

Se os próprios repórteres e jornalistas afirmaram que suas experiências em Brumadinho foram as mais dilacerantes de suas vidas, como nos omitir friamente afirmando isto ou aquilo acerca da vida de pessoas que nem sequer nos foi dado conhecer??

Precisamos entender que ainda vivemos num mundo de provas e expiações que também agem como propulsoras à evolução espiritual humana.  

Portanto, jamais saberemos se o drama ocorrido em Brumadinho, ou em Mariana, ou em Santa Maria, ou qualquer outro drama ocasionado pelo homem, ou pela omissão humana, seria uma prova solicitada pelas pessoas vitimadas e seus familiares, ou o cumprimento de um resgate compulsório.

Aqui está a diferença !!  

Em todos esses eventos, a misericórdia divina certamente se fez presente através de missionários socorristas da Espiritualidade, que assim como os há na vida na Terra, os socorristas do mundo espiritual sabem como agir com as pessoas vitimadas.

E certamente estão apoiando, inspirando, ajudando mesmo os socorristas reencarnados.  

É de uma imaturidade espiritual imensa além do desconhecimento da história da humanidade e de como a nossa evolução espiritual se processa, atribuir à uma pretensa Lei de Talião a responsabilidade que cabe a nós ressarcir com conhecimento e fé na Leis de Deus.

Por outro lado,  diante da omissão ou da falta de respeito à vida e à natureza por parte de grupos humanos que ainda transitam numa atmosfera psíquica primitiva, porque amante do poder e do lucro em detrimento da Vida em suas infinitas manifestações,  desta vez, consciente de seus atos e atitudes, perguntamos :  

De que forma estes “pagarão” os seus débitos? Não sabemos. Não nos cabe “adivinhar” quando nem como estes últimos vão ressarcir os seus débitos criados – ou recriados – para com as comunidades que prejudicaram.

Quando os Espíritos se referem à Lei de Talião – olho por olho, dente por dente – e que alguns intérpretes espíritas chamam erroneamente de Ação e Reação, já que A e R é uma lei física e não moral – os Espíritos usam como exemplo apenas, e não como forma compulsória no geral para o processo evolutivo humano.

As grandes tragédias provocadas pelos indivíduos humanos, como as guerras, e a consequente destruição que provocam, o êxodo de populações inteiras, certamente chamam para si resgates compulsórios, porém, jamais saberemos onde, como, com quem exatamente isso se dará.

A questão 10 do Livro dos Espíritos diz que “falta um sentido” a todos nós para que compreendamos todo o processo da criação de Deus, e Ele próprio.   

Na questão 3, os Espíritos afirmam que não podemos entender coisas que estão além da nossa inteligência.

Portanto, humildemente devemos reconhecer, como diria Shakespeare, que há mais coisas além do céu e da Terra do que sonham as nossas vãs filosofias.

Quanto às vítimas de Brumadinho, recebam o nosso carinho e afeto, o nosso respeito e admiração pela prova pela qual passaram.

Estejam certos de que suas famílias estão amparadas, meus irmãos, confiem em Deus e nos Benfeitores Espirituais que cercam a todos.

Para vocês que voltaram para casa, o nosso verdadeiro lar, e a todos, o nosso amor fraternal, e a mensagem do Espírito Emmanuel :
 

TUDO PASSA

 Todas as coisas, na Terra,  passam...

 Os dias de dificuldades, passarão...

 Passarão também os dias de amargura  e solidão...

 As dores e as lágrimas  passarão.

 As frustrações  que nos fazem chorar... um dia passarão.

 A saudade do ser querido  que está longe, passará.

 Dias de tristeza... Dias de felicidade...

 São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no espírito imortal

 as experiências acumuladas.

 Se hoje, para nós, é um desses dias  repletos de amargura, paremos um instante.

 Elevemos  o pensamento ao Alto, e busquemos a voz suave

 da Mãe amorosa a nos dizer carinhosamente: isso também passará...

 E guardemos a certeza, pelas próprias dificuldades

 já superadas, que não há mal que dure para sempre.

 O planeta Terra, semelhante a enorme embarcação, às vezes parece que vai soçobrar

 diante das turbulências de gigantescas ondas.

 Mas isso também passará,porque Jesus está no leme dessa Nau, e segue com o olhar sereno

 de quem guarda a certeza de que a agitação faz parte do roteiro evolutivo da humanidade,

 e que um dia também passará...

 Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro, porque essa é a sua destinação.

 Assim,  façamos a nossa parte o melhor que pudermos, sem esmorecimento,

e confiemos em Deus,  aproveitando cada segundo,  cada minuto que, por certo...

 também passarão...

 Tudo passa..........exceto DEUS!

 Deus é o suficiente!

 Chico Xavier - Emmanuel                

SONIA THEODORO DA SILVA, Filósofa e espírita.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

MEDIUNIDADES OBSCURAS E TRANSIÇÃO





DE QUE TRATA REALMENTE A TRANSIÇÃO?

De exposição de escândalos morais presentes na política?  De ausência de empatia e de respeito ao outro, ao próximo, principalmente aos portadores de mobilidade reduzida, cadeirantes, deficientes cognitivos, visuais, auditivos, ou simplesmente “o outro”, o “próximo”?
Da falta de respeito à vida humana, seja ela criança, mulher, idoso, idosa?

De guerras e rumores de guerras conforme os capítulos 24 e 25 do Evangelho de Mateus e os argumentos dos Espíritos Superiores a Kardec, corroborados por Emmanuel e Joanna de Ângelis?  
De vícios de toda a natureza e surtos de ódio e desequilíbrio mental portadores de armas, mortes, suicídios, e que alimentam processos obsessivos com toda a intensidade de que são capazes?  

Diria que sim, tudo isto e muito mais, contudo estamos falando de EFEITOS e não de CAUSAS.
O Espiritismo, mais precisamente, a Filosofia Espírita trata das CAUSAS das questões existenciais humanas, minando-lhe os efeitos causadores de dor e sofrimento que ao longo de milênios tem acompanhado a alma humana e os Espíritos.  

O processo de transição, tão propalado por várias pessoas, que tentam justificar o injustificável, porque se não tratamos as causas, os efeitos continuarão a lesar a alma e os corpos humanos, é muito mais que um simples perpassar, como um caminho, por uma trajetória de dores e aflições.

TRANSIÇÃO significa MUDANÇA de posição, de aderência a posturas e comportamentos, modos de pensar e de viver, de estar e ser, para uma outra proposta, a de REGENERAÇÃO de almas e de Espíritos.

Contudo, pouco se pensa sobre o tema. As preferências de abordagens se projetam numa proposta ou propostas oníricas, de uma espécie de paraíso distante e inalcançável, ou até de projeções de pensamentos daqueles que “acham que” a vida regenerada seria a satisfação de prazeres que hoje não se pode alcançar.

O significado da palavra REGENERAÇÃO conforme a abordagem espírita, remete à transformação de um estado, de um modo de ser e de viver, para outro, oposto porque desatrela costumes e hábitos arcaicos, crenças mitológicas e míticas, que se projetam na vida e no modo de pensar a vida. Regenerar-se implica não num simples colocar remendos novos em roupas velhas, mas em trocar de roupas, de vestes, novas e brilhantes como novo e brilhante deve ser o novo pensar, um novo modo de raciocinar a projetar-se na existência.

Trocando em miúdos, o cotidiano deve mudar, a partir dos costumes e hábitos, transformando a nossa sociedade de consumo para a de preservação. Raciocinemos através de alguns poucos exemplos, que certamente o nosso leitor poderá ampliar:

Alimentação carnívora

Emmanuel posicionou-se certa vez, quando lhe perguntaram sobre o assunto e a sua resposta foi: “se desejam saber em qual nível evolutivo a humanidade se situa, basta observar que ainda se alimenta das vísceras de seus irmãos inferiores...”

Nada mais justifica essa alimentação, pois seus nutrientes já foram substituídos plenamente por outros mais saudáveis. Devemos, pois, analisar o que leva ainda o ser humano a escolher a carne como prato, seja ela bovina, equina ou de qualquer outro animal.

Resta o prazer em alimentar-se com carne; e isto deve mudar.

Animal tem vida; tem emoções e sentimentos proporcionais ao seu estágio evolutivo. Os animais evoluem como os seres humanos. Inserir sofrimento e dor desnecessários a esse processo acarreta mais perdas a eles e comprometimentos à raça humana. Sem mencionar os agronegócios, exploradores e depredadores por sua própria natureza.

E você, o que está fazendo para mudar isto?

Ecologia

Não precisamos enumerar o que a boa imprensa e as ONGs honestas e lúcidas já fazem. O aquecimento global prenuncia grandes catástrofes a curto, médio e a longo prazo.

Já estamos sentindo as mudanças. Em toda a parte isto já acontece. A água potável está em processo de esgotamento. A ciência pouco poderá fazer, mesmo dessalinizando a água dos oceanos. Jamais será a mesma água pura proveniente de nascentes naturais.
 Por outro lado, a desertificação está avançando em todo o planeta e já se instalou no Nordeste brasileiro.
Pequenos animais necessários à preservação do ecossistema estão morrendo, se extinguindo. As abelhas, por exemplo.  A beleza que trazem à natureza como os vagalumes, onde estão? Estão sendo dizimados pela disseminação descontrolada de agrotóxicos que, obviamente não são seletivos e exterminam a fonte da vida na pretensa intenção de exterminar pragas. Aliás, a ciência ética já desenvolve meios de extermínios de pragas por meios naturais, sem a utilização das drogas, que estendem a matança aos seres humanos que consomem alimentos contaminados.

E isto tem que mudar, o que você está fazendo para que tal aconteça?

 Poluição mental

Advinda das Fake News, que firmou a sua sordidez e seus pés enlameados nos corações ingênuos que acreditam em tudo o que lhes parece verdade; a aparência de verdade não é ela mesma. Deve ser investigada e cotejada com os ensinamentos dos Espíritos Superiores a Kardec, com a lógica espírita advinda do estudo constante e com os ensinamentos e exemplos de Jesus de Nazaré e seus bons seguidores.

Advinda de uma mídia comercial egoisticamente interessada em modificar os bons costumes e a boa educação por um projeto de vida superficial e focada nos prazeres físicos de toda a sorte, porque manipulada e manipulável, em busca de índices de audiência através do escândalo. Amoral e imoral, antiética, antiestética e contra os valores de uma sociedade que já deveria estar preparada por centenas de anos de boas e nobres mensagens e vidas de gente que continua vivendo, sacrificialmente e com riscos à própria existência e integridade, o Bem e para o Bem.  

Nota: Não se trata de adotar pensamentos e costumes conservadores mas de seguir os ensinamentos e exemplos que nos foram ofertados  por centenas de obreiros da Verdade e do Bem, e que continuam dando exemplos de amor à vida onde quer que ela se manifeste. Estamos falando de desenvolvimento do senso de seletividade.  

E VOCÊ, o que está fazendo para mudar isso?

Comportamento

Poderíamos nos ater ao comportamento humano de uma forma geral, mas vejamos os efeitos do que já citamos: desonestidade, “jeitinho” para tudo, sonegação de impostos, mentiras, maledicências, calúnias, inveja, ciúmes, roubo de direitos autorais, violência física e moral, assédios sexual e moral, etc., etc.

Todos esses comportamentos geram distúrbios mentais, processos obsessivos de longa duração, ou são ocasionados por eles, numa permuta constante e vampiresca.

E você, espírita, o que está fazendo para mudar isto?

Veja que estamos nos referindo à humanidade a qual também pertencemos.

  Mediunidade

Allan Kardec deixou muito claro o significado de mediunidade: estado de intercâmbio constante com o mundo desencarnado, numa permuta amoral e aética, já que mediunidade não define moral elevada.

O médium não é o representante de Deus sobre a Terra, não tem autoridade para fazer premonições e profecias, não está na condição de fazer milagres como Jesus, que, na verdade não “fazia milagres”, mas curava enfermidades físicas e mentais quando os enfermos ofereciam condições físicas e morais para tanto, conclamando e deixando muito claro que a fé do paciente era instrumento de refazimento, sem a qual Ele, Jesus, nada poderia fazer.

Os Espíritos Superiores destacaram isto a Kardec, veja-se o Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 19 - A fé transporta montanhas.

Quanto à mediunidade de efeitos físicos, com foco em saúde, obedece aos mesmos ditames acima, o médium nada pode fazer se o paciente não tiver fé, contudo, aliado à fé, é necessário o Conhecimento que desenvolve o discernimento, sem os quais os charlatães continuarão agindo em nome de Deus e do Espiritismo e se aproveitando da credulidade e da ignorância alheios.

O mesmo diga-se à mediunidade psicográfica, hoje instrumento de Espíritos e médiuns  portadores de pseudo sabedoria, segundo a definição de Allan Kardec em O Livro dos Médiuns.  

Particularmente conheci alguns centros ESPIRITUALISTAS, que trazem equipes de médiuns que atuam no refazimento da saúde de seus assistidos, realizam Cromoterapia, Desobsessão, pregam o Evangelho de Jesus e o Evangelho Segundo o Espiritismo.

Essa miscigenação de conceitos e terapias, contudo, evocam uma prática voltada à proposta de cura de enfermidades e mudança de comportamentos frente à vida.
Trata-se de um fenômeno social surgido com a atuação de Centros Espíritas no Brasil, mas que encontrou no começo do século XX um país colonizado por católicos e mesclado por cultos africanos e orientalistas.

Todavia, o paciente deve estar alerta quando às intenções e à postura de médiuns e seus colaboradores.

O fato ocorrido recentemente com um médium de Goiás, que, esclareçamos, não é espírita, repetiu o comportamento antiético e ausente de moral cristã de muitos outros médiuns não-espíritas no passado.

Alguns tiveram morte trágica: castigo? Certamente que não, lei de causa e efeito nada tem a ver com lei de talião. Contudo, atraíram, na mesma proporção de suas energias desequilibradas, outros Espíritos em igual desalinho mental e espiritual e que, muito provavelmente contribuíram para a sua morte, quando não a profundo desequilíbrio.

Lições se repetem, as pessoas precisam aprender com elas.

Este artigo, com todos os comentários acima, traz uma pequena reflexão quanto ao que nos cabe fazer para adentrarmos o mundo regenerador.

E você, o que está fazendo e refletindo para que a regeneração aconteça em sua vida e na vida das pessoas que o/a cercam??
Lembre-se que as Leis Morais estão em sua consciência de profundidade, esperando o momento de serem vividas, para uma existência plena de equilíbrio e bem estar. 

Sonia Theodoro da Silva

Filósofa.            

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Mudança Planetária: Esperanças e Consolações





Os Espíritos Superiores que assessoraram Allan Kardec em seu magnífico trabalho de síntese propiciaram à humanidade todas as condições que poderiam levá-la à mudança de paradigmas. Segundo a afirmação de Emmanuel, as revelações “evolucionam numa esfera gradativa de conhecimento” e, desta forma, vai ao encontro do pensamento do codificador – “as verdades morais constituem elementos essenciais do progresso”. 

Podemos deduzir, assim, que o senso moral vai se desenvolvendo à medida que os indivíduos sentem necessidade de uma complementaridade aos conhecimentos desenvolvidos e adquiridos, gerando um processo magnífico de completude em que razão e coração se integram, coesos, numa mesma aspiração pessoal e coletiva – a felicidade. Quando os Espíritos disseram que o Espiritismo seria “o Consolador prometido por Jesus”, imediatamente os corações imaturos deduziram que a esfera espiritual com eles se comunicaria a cada momento tormentoso de suas vidas, dando respostas e soluções aos problemas afligentes e angustiosos.     

Contudo, a filosofia espírita é bem clara e objetiva – o ser humano progride e, ao progredir, deve assumir responsabilidades. Estas, por sua vez, lhe garantem a segurança necessária para bem conduzir-se numa jornada segura de paz e tranquilidade interior, o que não significa que outras pessoas assim agirão, uma vez que convivemos num vasto oceano de diversidade cultural, moral, intelectual, religiosa e, finalmente, evolutiva.     

Nunca foi tão necessário buscar consolo no Evangelho de Jesus, em suas palavras, atitudes, conselhos. A sua presença é a do amigo de todas as horas, a do crucificado que voltou da morte a dizer que ela é apenas uma percepção incompleta, precária e aparente. Jesus não ressuscitou, ele mostrou que a morte do corpo não destrói o Espírito imortal; Jesus não é Deus, é a plenitude da evolução a que pode chegar um Espírito em contínuo progresso. 

As adversidades e atribulações que atravessamos atualmente fomentam a descrença, o dissabor, a divisão e a somatização de problemas os mais diversos, enclausurando a alma humana numa visão de mundo em que a esperança (de esperançar, de estimular as boas expectativas) não encontra espaço nas mentes fatigadas pelas tragédias do cotidiano e dos eventos mundiais.      Jesus e seus apóstolos viveram num mundo em transição, passagem das crenças mitológicas para a fé racional que se completaria dois mil anos depois com a Filosofia Espírita. Daquela época para cá o ser humano obteve muitas conquistas, porém os desconcertos do Espírito que busca alimentar-se apenas de satisfações imediatistas impedem- no de olhar para o futuro de forma otimista e assertiva.     
O Livro dos Espíritos, perg.119, traz uma instrução de Paulo de Tarso: “para atingir a plenitude, três coisas são necessárias: a justiça, o amor e a ciência; três coisas lhe são opostas: a ignorância, o ódio e a injustiça.” E completa: “... aquele que por um falso impulso da alma se afasta do objetivo da Criação, que consiste no culto harmonioso do belo e do bem idealizados pelo arquétipo humano, Jesus, é responsável (pela desorganização social).”

Este é o momento de mudança de paradigmas. Para tanto, temos o impulso natural para o Bem que trazemos conosco; temos modelos auspiciosos que poderão ser implantados a partir dos espaços vazios gerados pela dor e pela perda. Os Espíritos que colaboraram na Codificação estão e estarão ao nosso lado para que realizemos em nós e junto a nós esse novo modelo de paz e prosperidade espiritual, modelando a nova civilização que tanto desejamos.

Sonia Theodoro da Silva

Filósofa.
(Publicado no Journal of Psychological Studies, London, England, 2017).  

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segunda-feira, 10 de julho de 2017

HOMOSSEXUALISMO - REFLEXÕES COM BASE NA FILOSOFIA ESPÍRITA




“Vós que sois sábios e cheios de alta e profunda ciências

Que concebeis e sabeis

Como, quando e onde tudo se une

... Vós, grandes sábios, dizei-me de que se trata

Descobri vós o que será de mim

Descobri como, quando e onde,

Por que semelhante coisa me ocorreu?”

                                  (citação de Michel Foucault, em História da Sexualidade)     

Para que possamos compreender os fenômenos da vida humana, Espíritos de superior evolução intelecto-moral estiveram presentes na Falange do Espírito da Verdade (Jesus de Nazaré) com a finalidade de orientar a humanidade. Isso é fato.

Por sua vez, os princípios por eles elaborados e que constituem a síntese do conhecimento: Deus, Espírito e Matéria, trazem de forma didática (trabalho este desenvolvido por Allan Kardec, pedagogo) os indicativos necessários para a condução de nosso pensamento em direção ao entendimento do processo dialético corpo-Espírito, e que envolve, por exemplo, a encarnação.

Encarnação como princípio, reencarnação como processo - em O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, sob o título Mundo Espírita ou dos Espíritos, capítulo IV- Pluralidade das Existências, questões 200 a 202, os Espíritos orientadores disseram a Kardec que a definição sexual (feminino-masculino) depende da constituição orgânica. Os mesmos Espíritos animam corpos de homens e mulheres, dependendo das provas que eles (Espíritos) tem que sofrer. Acrescenta Allan Kardec: “Os Espíritos encarnam-se (princípio) homens ou mulheres, porque não tem sexo (constituição orgânica). Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, saberia apenas o que sabem os homens.”

São meus os destaques em negrito.

Consequentemente, entendemos que as experiências necessárias à evolução de um Espírito devem ocorrer efetivamente nas duas polaridades, masculina e feminina, distintas entre si, e perfeitamente harmônicas em cada uma.   

No capítulo IX, Terceiro Livro, Lei de Igualdade, questão 822-a (tradução de José Herculano Pires), os Espíritos acrescentam: “Os sexos só existem na organização física, pois os Espíritos podem tomar um e outro, não havendo diferenças entre eles a esse respeito.”

Os Espíritos, portanto, no processo da reencarnação como lei biológica, reencarnam em corpos biológicos adequados à necessidade evolutiva de cada ser. Se hoje um indivíduo reencarna numa constituição fisiológica masculina, ele trará consigo todos os impulsos inerentes à essa característica. Impulsos esses que trazem carga erótica condizente à perpetuação da espécie, e que por instinto o faz procurar o seu oposto, o feminino. O mesmo se dá com o indivíduo que renasce num corpo biológico feminino. O amor entre os seres humaniza e une as duas polaridades distintas, na troca constante de afeto e realização mútuas.

Masculino e feminino com características, pendores, componentes psicológicos diferentes. No livro “Sexo-Problemas e Soluções”, de Emídio e Marislei Brasileiro encontramos uma definição acerca das diferenças entre sexualidade masculina e sexualidade feminina concorde com o Espiritismo: “As múltiplas reencarnações, em diversos corpos de constituição física masculina e feminina, possibilitam ao Espírito a aquisição de valores apropriados às diferentes faixas evolutivas de cada planeta e a assimilação, psicossomática respectiva, determinando o aprimoramento da condição criativa do ser.(...)  A sexualidade manifesta-se sob três aspectos distintos: no da reprodução, no psicológico das vivências de vidas passadas e no aspecto geral da capacidade espiritual de criar, de produzir e de evoluir, através de conquistas morais e intelectuais, que se processam nos planos da vida física e da vida espiritual.”     

No Terceiro Livro, de O Livro dos Espíritos, capítulo V, Lei de Conservação, questões 702 e 703, os Espíritos esclarecem que todos os seres vivos possuem  o instinto  de conservação, qualquer que seja o seu grau de inteligência, e no caso dos seres humanos, ele é racional, Deus deu a esses, a necessidade de viver, pois “a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres: eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.”  

Ainda no mesmo Terceiro Livro, capítulo X, Lei de Liberdade, os Espíritos ensinam que (questão 826), desde que haja dois indivíduos distintos, “há direitos a respeitar e não terão eles, portanto, liberdade absoluta.” Por outro lado, os indivíduos possuem “a compreensão da lei natural, mas contrabalançada pelo orgulho e o egoísmo. Sabem o que devem fazer mas não o fazem, quando transformam os seus princípios numa comédia bem calculada.”

Allan Kardec então pergunta (questão 828-a): “Os princípios (leia-se aqui sistemas, hábitos, costumes, vivências e não princípios filosóficos) que professaram nesta vida lhes serão levados em conta na outra? Quanto mais inteligência tenha o homem  para compreender um princípio (filosófico), menos escusável será o de não aplicar a si mesmo. (...)”   

Na questão 845, da mesma Lei de Liberdade, os Espíritos esclarecem que “as  predisposições instintivas que o homem traz ao nascer são as do Espírito antes da reencarnação, conforme for ele mais ou menos adiantado, elas podem impeli-lo a atos repreensíveis, no que ele será secundado por Espíritos que simpatizem com essas disposições; mas não há arrastamento irresistível, quando se tem a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder (veja-se questão 361)”.

Na questão 361 recomendada por Allan Kardec, temos a seguinte pergunta e consequente resposta: “De onde vem para o homem as suas qualidades morais, boas ou más? São as do Espírito que está nele encarnado; quanto mais puro é esse Espírito, mais o homem é propenso ao bem.”       

Os destaques em negrito são de minha autoria.

Voltemos à Lei de Liberdade, questão 846, quando Allan Kardec questiona os Espíritos sobre se o organismo (físico) não influi nos atos da vida, e se influi se seria a prejuízo do livre-arbítrio, ao que os Espíritos respondem: “O Espírito é certamente influenciado pela matéria, que pode entravar as suas manifestações. (...) mas o corpo não dá faculdades ao Espírito. De resto, é necessário distinguir neste caso as faculdades morais das faculdades intelectuais. (...) Aquele que aniquila o seu pensamento para se ocupar apenas da matéria faz-se semelhante ao bruto, e ainda pior, porque não pensa mais em se premunir contra o mal. É nisso que ele se torna faltoso, pois assim age pela própria vontade (Ver item 367 e seguintes, Influência do organismo.)”

As questões citadas certamente poderão ser consultadas, e devem, na verdade ser estudadas profundamente com isenção de ânimo.

Acrescentamos a questão 851, referente à fatalidade nos acontecimentos da vida humana, ao que os Espíritos respondem: “A fatalidade não existe senão para a escolha feita para o Espírito ao encarnar-se (...) ao escolhê-la, ele traça para si mesmo  uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra. (...) O Espírito, no tocante às provas morais e tentações, conservando o seu livre-arbítrio, sobre o bem e o mal, é sempre senhor de ceder ou resistir.”    

Em o livro A Gênese – Os milagres e as predições segundo o Espiritismo, em seu capítulo 18, Sinais dos tempos, item 8, o Espírito Arago diz: “Quando se diz que a humanidade chegou a um período de transformação, e que a Terra deve se elevar na hierarquia dos mundos, não vede nestas palavras nada de místico, mas, ao contrário, o cumprimento de uma das grandes leis fatais do Universo, contra as quais se quebra a má vontade humana.”

No item 14, Kardec acrescenta: “(...) É a um desses períodos de transformação, ou se quisermos, de crescimento moral, que chegou a humanidade.”

Em seu item 19, o livro A Gênese destaca: “Unicamente o progresso moral pode assegurar a felicidade dos homens sobre a Terra pondo um freio às más paixões; unicamente ele pode fazer reinar entre os homens a concórdia, a paz e a fraternidade.”

Acrescente-se trecho do item 24: “Pela sua potência moralizadora, por suas tendências progressivas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abraça, o Espiritismo, mais que qualquer outra doutrina, está apto a secundar o movimento regenerador; por isso mesmo são contemporâneos.”

Para se compreender os fenômenos humanos, como o homossexualismo, o transexualismo, o hermafroditismo, e outros  ligados à sexualidade e às manifestações da libido, há necessidade de se admitir plenamente a encarnação como princípio e a reencarnação como processo inerente à evolução humana, admitindo, contudo, que o Ser é dotado de livre-arbítrio, portanto, herdeiro de suas próprias experiências na matéria.

Para tanto, um rápido vislumbre nas culturas e nos hábitos das populações da Antiguidade, com destaque Grécia e Roma, desvenda as  vivências homo e bissexuais ao longo do tempo como parte do processo de iniciação de crianças e jovens à idade adulta. Como exemplo, os espartanos comungavam do leito conjugal com seus companheiros de batalha em campanhas militares  de longo percurso.

A história humana – seja no campo dos hábitos adquiridos ou até em sacrifícios religiosos – é fonte de vasta pesquisa para o entendimento dos fenômenos de ordem sexual.

Essa herança permanece em nosso inconsciente individual e coletivo, necessitando de entendimento para o necessário reajuste.

De forma oposta, o que vemos hoje divulgado e incentivado pela mídia, que, secundada por políticas de governos interessados no domínio das massas, a criação de um suposto terceiro gênero, como se fosse possível alterar fisiologias ao bel-prazer de poderes espúrios e de empresas que igualmente disputam audiência.

Apoiadas no suposto “preconceito” – que realmente existe, pois fruto da ausência de políticas educativas, mas que é por elas abordado de forma distorcida -, incentivam as massas, que buscam freneticamente novidades no mercado das aparências.

Programas de auditório, com público hipnotizado pelos holofotes de grandes e poderosas redes de televisão, no afã de aparecerem por segundos nas telas de TV nacionais e internacionais, aplaudem com entusiasmo todo aquele que se propõe a “viver, sim - e porque não? -  a sua homossexualidade latente”.

Filmes pornográficos travestidos de luxo e prazer, lojas especializadas em instrumentos para o aumento da libido,  no mercado do “tudo vale para a satisfação” momentânea, efêmera e vazia.

O conhecimento da energia sexual permanece obscuro para a grande maioria, mantendo o ser humano escravo de seus impulsos, destinados ao desenvolvimento afetivo e à perpetuação da espécie.

Com este artigo fechamos questão sobre o tema? Evidente que não. Porém, deixamos claro que o homossexualismo e as demais questões que envolvam a sexualidade humana devem ser abordados com isenção de ânimos, e sob o ponto de vista estritamente filosófico-espírita, se quisermos realmente compreender a amplitude do problema.

Um seminário, uma mesa-redonda ou qualquer abordagem pública desse tipo deve ser feita de forma multidisciplinar, com profissionais de saúde idôneos e engajados com o Espiritismo, acrescidos de abordagem histórica, filosófica, sociológica e ético-moral.

Não compreenderemos os fenômenos humanos se não nos despirmos de ideias preconcebidas, protecionistas e alienantes.

O homossexualismo é um hábito humano milenar e portanto, requer de quem analisa e pondera, maturidade emocional, maturidade existencial, conhecimento e profundo engajamento à causa espírita como já dissemos.

Sem isso a casa espírita estará sujeita às tempestades emocionais de quem vive o problema em seu próprio lar e os traz para dentro dos Centros, sujeito que pode estar às opiniões dissonantes de uma mídia que nada faz a não ser aproveitar-se do sofrimento humano que não compreende, contudo, oferece “soluções” compatíveis aos seus próprios interesses imediatistas e mesquinhos.

Ainda em O Livro dos Espíritos, questão 625, os Espíritos nos oferecem um modelo conducente às nossas atitudes e ações: JESUS, que é a harmonia das polaridades por excelência.

Manifestou-se pessoalmente encarnando-se, pelos meios naturais,  num corpo fisiológico masculino, porque patriarcal era o seu tempo. Porém, manifesta o seu imenso Amor pela Humanidade, consequência natural de um Ser pleno, ao respeitar a mulher, educando-a para o amor legítimo e respeitoso, e ao respeitar o homem,  educando-o para o respeito a si mesmo e à mulher. Enalteceu os laços familiares, e legou-nos o seu Evangelho de Luz como norma de conduta, enquanto aguardávamos a vinda do Consolador, que nos despertaria para a Verdade.

E é justamente em O Evangelho Segundo o Espiritismo que encontramos a orientação para as nossas vidas: O Homem de Bem.

AUTORIA: Sonia Theodoro da Silva, filósofa.

SUGESTÕES DE ESTUDO E LEITURA:

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

A GÊNESE – Os milagres e as predições Segundo o Espiritismo

(Todos de Allan Kardec)

SEXO – PROBLEMAS E SOLUÇÕES, Emídio e Marislei Brasileiro

PESQUISA SOBRE O AMOR, José Herculano Pires.